Sobre 100 Noites de Desejo

100 Noites de Desejo (em inglês, 100 Nights of Hero) é um filme de fantasia e romance. Lançado nos cinemas em 4 de junho de 2026, a produção é baseada na graphic novel da autora Isabel Greenberg. E estrelado por Emma Corrin, Nicholas Galitzine e Maika Monroe.
O filme foi escrito e dirigido por Julia Jackman, e ainda conta com a cantora Charli XCX, além de atores consagrados como Felicity Jones, Amir El-Masry e Richard E. Grant no elenco.
Sinopse
Presa em um casamento negligente e pressionada a dar um herdeiro ao marido, Cherry vive uma realidade sufocante. Suas únicas válvulas de escape são Hero, uma empregada devota que integra uma organização secreta que resgata a história de mulheres apagadas pelo tempo, e a chegada inesperada de Manfred, um charmoso amigo de seu marido.
Com a ausência do cônjuge, Cherry se vê presa em uma perigosa teia de desejo, dividida entre sentimentos proibidos pelo convidado e por sua confidente.
Trailer Oficial
Sobre a graphic novel que inspirou o filme

As 100 Noites de Hero, de Isabel Greenberg, foi lançado em 2016, expandindo o universo de sua primeira graphic novel The Encyclopedia of Early Earth (2013). E é um reconto feminista do clássico As Mil e Uma Noites, ambientado em um mundo medieval opressivo onde as mulheres são proibidas de ler e escrever. A HQ equilibra crueldade, fantasia e realismo ao debater sobre o patriarcado.

A trama acompanha Cherry e sua criada, Hero. Quando o marido de Cherry viaja por 100 dias, ele faz uma aposta com seu amigo, Manfred: se Manfred conseguir seduzir Cherry antes do seu retorno, ganhará o castelo e as terras do amigo.
Para proteger a mulher que ama e salvar sua honra, Hero assume o papel de uma Scheherazade moderna. Noite após noite, ela usa o poder da contação de histórias para distrair, hipnotizar e atrasar Manfred em seu objetivo.
O nome da protagonista, Hero, foi inspirado no mito grego antigo de Hero e Leandro, que narra a trágica história de amor de uma jovem sacerdotisa de Afrodite.

Isabel Greenberg é uma das vozes mais aclamadas e originais dos quadrinhos britânicos contemporâneos. Escritora e ilustradora nascida em Londres em 1988, seu trabalho é reconhecido por misturar folclore, mitologia, recontos feministas e uma estética visual marcante, muitas vezes comparada à xilogravura tradicional.
Diferenças entre filme e graphic novel
O filme dirigido por Julia Jackman mantém a essência da HQ e a dinâmica permanece a mesma, mudando apenas a estrutura e o foco da narrativa.

Foco narrativo e as histórias
Na HQ: As histórias têm um foco maior ainda, com mitos complexos sobre deusas, luas e gerações passadas de mulheres. A história principal de Cherry e Hero funciona como uma moldura para essas outras lendas.
No filme: A produção prioriza a tensão romântica e o triângulo dramático em tempo real dentro do castelo. As histórias contadas por Hero ainda aparecem para distrair Manfred, mas de forma muito resumida, servindo mais como um motor para o avanço dos 100 dias.
O romance entre Cherry e Hero
Na HQ: A relação amorosa entre Cherry e Hero é o coração da graphic novel, mas é retratada com a sutileza e a melancolia de um amor proibido clássico dentro de um universo medieval hostil.
No Filme: A química e o romance secreto entre a patroa e sua criada ganham um peso mais dramático, sendo um contraponto direto à masculinidade tóxica e manipuladora da aposta feita entre o marido Jerome e o sedutor Manfred.
Personagens e Mitologia
Na HQ: A Liga das Contadoras de Histórias e os seres mitológicos, como a Mulher Pássaro e os deuses daquele universo, possuem explicações profundas de árvore genealógica.
No Filme: Os personagens icônicos da mitologia da HQ, como o Birdman e a Moon, aparecem pouco ou apenas através de narrações, simplificando a rica obra de Greenberg para que o público não se perca na trama política do castelo.
Análise Pessoal

100 Noites de Desejo não é apenas um romance de época água com açúcar. Nos primeiros minutos, o filme já te conquista, mesmo para quem não leu a obra original. A diretora Julia Jackman soube transformar o material de Isabel Greenberg em um manifesto cinematográfico que mexe com a gente de um jeito muito íntimo.
O filme acerta quando usa o formato de "conto de fadas" para retratar uma realidade nua e crua sobre o patriarcado. O casamento de Cherry com Jerome não é apenas infeliz, é uma prisão política. Ela é tratada como uma propriedade cujo único valor está em seu útero.
Uma distopia medieval onde ler e escrever é um crime para as mulheres, a resistência ganha uma força gigantesca. É justamente essa proibição do conhecimento feminino que transforma a luta delas em algo heroico e revolucionário.

É emocionante acompanhar a Liga das Contadoras de História em um mundo que tenta apagar o passado das mulheres. O feminismo do filme não está em discursos, mas sim no ato de compartilhar histórias, na solidariedade e no acolhimento mútuo.
A química entre as atrizes Maika Monroe e Emma Corrin é palpável, daquelas que fazem a gente ansiar por algo igual. Em meio aos jogos mentais do Manfred e à negligência do marido, o amor entre a patroa e a criada nasce como um espaço de cura e libertação, fugindo de clichês desnecessários.
Um romance proibido que vai muito além do desejo físico, é sobre encontrar o espelho da própria alma em outra mulher quando o resto do mundo te diz que você não é ninguém.
Enquanto a HQ me parece uma linda celebração do folclore e do poder que uma boa história tem de nos salvar, o filme escolhe um caminho diferente: transformar toda essa fantasia em um romance de época superintimista, focando na tensão sexual e na dor de um amor proibido.
Recepção da crítica e do público
Rotten Tomatoes: 69% de aprovação dos críticos e 56% de aprovação do público.
IMDb: 5,9/10 de 1.600 mil avaliações.
Letterboxd: 3,3/5 (estrelas) de 26 mil avaliações.
Vale a pena assistir 100 noites de desejo?

O filme usa aquela estética bonita de contos de fadas e cenários medievais para contar uma história sobre opressão. Explora a questão do controle do corpo feminino e a proibição da leitura para as mulheres que transforma o filme em uma distopia revoltante e instigante.
A Liga das Contadoras de História é um dos pontos mais bonitos da trama, mostrando que o feminismo e a resistência não precisam vir em discursos gritados, mas sim no acolhimento, na cumplicidade e no ato de não deixar o passado das mulheres ser apagado.
O romance proibido entre a patroa e a criada nasce como um refúgio de cura em meio à negligência dos homens ao redor, e a tensão sexual e o afeto entre elas são construídos de forma bonita e sensível.
Nota: 8 de 10.
Para quem busca um drama de época que subverte clichês e desafia o espectador, vale muito a pena assistir. Uma obra que equilibra perfeitamente uma estética primorosa com discussões profundas.
Até a próxima!












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