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Análise de Pavana: A Juventude é Finita, Mas Eterna

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Um drama coreano delicado e contemplativo da Netflix que transforma solidão, rejeição e afeto em pertencimento e reflexão.

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revisado por Tabata Marques

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Sobre Pavana

Dirigido por Lee Jong-pil, Pavana estreou globalmente na Netflix em fevereiro, ocupando o lugar de um dos dramas mais comentados recentemente.

A obra é uma adaptação do romance Pavane for a Dead Princess, do escritor Park Min-gyu. No elenco, estão Go Ah-sung, Byun Yo-han e Moon Sang-min.

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Sinopse

Pavana se inicia com o convencional amor à primeira vista, mostrando como um casal se junta e, logo a seguir, como a mulher é abandonada pelo companheiro, que, ao alcançar sucesso na mídia, a troca por outra. O que gera um trauma em Gyeong-rok, já que ele é fruto desse relacionamento rompido.

Conforme a história segue, ela nos apresenta os outros dois jovens, cujos caminhos se cruzam com o de Gyeong-rok, que começa a trabalhar numa loja de departamentos em Seul. Com o tempo, vemos que cada um deles carrega feridas, algumas sutis, outras mais pesadas.

Mi-jung, interpretada por Go Ah-sung, é uma jovem que cresceu sendo julgada e rejeitada por não se encaixar nos padrões estéticos da sociedade. Gyeong-rok traz consigo a dor de ser rejeitado pelo pai e ter perdido a mãe em decorrência dessa separação, assim como as feridas que se formam quando vê o amor que o pai dedica a outra família. Completa o trio Yo-han (Byun Yo-han), um personagem cujo humor encobre uma sensibilidade profunda e que, no fundo, age como um mediador entre a dor dos outros e a possibilidade de afeto para si mesmo.

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Crítica

O título do filme é uma reverência à música clássica Pavane pour une infante défunte, que evoca tristeza e beleza, como se aquilo que falta à sociedade fosse também aquilo que a faz sentir mais viva.

A recepção crítica tem sido bem positiva, especialmente entre aqueles que apreciam um filme mais reflexivo. Muitos enxergam em Pavana uma história de cura emocional e de conexão que não se resolve em grandes plot twists de roteiro, mas em gestos cotidianos que revelam a essência de cada um.

Outro aceno sobre padrão estético

Apesar de Pavana deixar bem clara a crítica aos padrões sociais de beleza, eles não batem nessa tecla de um modo explícito, não é preciso. A forma como Mi-jung é tratada pelos colegas de trabalho, com bullying disfarçado de brincadeira, ignorada quando precisa de ajuda, invisível apesar de tão inteligente e, por causa de sua aparência, jogada para trabalhar longe dos olhos do público, é muito mais real do que em outras obras e, por isso, mais sensível.

O que derruba o mito lúdico de que, mesmo se você não for bonito, se for inteligente poderá ir longe. Sabemos que nem sempre é assim e Pavana expõe os fatos. Mi-jung é inteligente, e dá para ver até mesmo pelo modo como ela fala a respeito de músicas clássicas ou sobre referências de nativos americanos.

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Mas nada disso importa, porque ela nem mesmo consegue mostrar sua profundidade ao mundo, já que, só de olhar para ela, a sociedade a rejeita e prefere esconder. Não há chance de Mi-jung mostrar suas capacidades porque não lhe é dado um olhar além das aparências.

Infelizmente, nada é mais real que isso.

A falsa positividade

Outro destaque para Pavana é o modo como aborda o personagem Yo-han, que é o primeiro que abre os braços para receber Gyeong-rok, ignorando o ar frio e apático do protagonista e deixando a ele atenção e uma amizade sincera.

Yo-han é visto como o cara otimista, amigável, expansivo. Mas a verdade é que o rapaz usa uma máscara para esconder suas dores. Com o tempo, descobrimos que Yo-han já atentou contra a própria vida mais de uma vez... vemos como ele busca afeto, chegando até mesmo a expressar em palavras que quer companhia, porém, ninguém consegue enxergar nada além de seus sorrisos e histórias inventadas como pretenso futuro romancista.

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O que, obviamente, é algo que vemos aos montes.

A lista de celebridades que cometeram suicídio é longa, assim como a surpresa de quem, após suas mortes, descobre como essas pessoas lutavam contra a depressão. Muitos deles, em vida, eram inclusive comediantes... pessoas que levavam sorrisos aos outros, mas que por dentro estavam desmoronando.

Yo-han aqui representa todos eles e é angustiante acompanhar o quadro que está sendo pintado e que ninguém percebe.

A juventude é eterna

Essa frase, dita por Yo-han, define Pavana como um trecho das nossas vidas, onde o brilho e a esperança estão pulsantes, ainda que escondendo mágoas e tristezas. Mas que, apesar disso, o momento em que somos jovens é quando tudo fica guardado... são os anos que guardamos nas memórias e, por isso, se tornam eternos.

Há, nessa sentença, uma melancolia que o filme carrega o tempo todo, mesmo nos momentos em que vemos o casal junto, os três amigos no bar comemorando um aniversário. Porque sabemos que, apesar de a juventude ser eterna, ela nunca dura.

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No fim das contas, Pavana não é apenas mais um romance cotidiano, é sobre o medo de o amor não ser um bom final, mas a única coisa que te faz feliz, uma história que nos convida a olhar com maior gentileza para as partes de nós que escondemos, para as camadas que nossos amigos tentam disfarçar em si mesmos e que, longe das vistas de todos, sangram.

Vale a pena assistir Pavana?

Vale se você não estiver esperando um romance típico onde, ao final, ficará sorrindo sabendo que tudo termina bem.

Pavana não está aqui para contar a história de amor e amizade do trio, e sim para nos fazer meditar sobre relações e como, quando tudo parece bem... nada está.

Nota: 3,9 de 5

E você, já ouviu falar desse filme? Gosta de romances dramáticos assim ou prefere o bom e reconfortante "felizes para sempre"?

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