Resumo das temporadas anteriores de The Boys
The Boys mergulha na narrativa de um mundo realista onde algumas pessoas possuem superpoderes, apresentando uma enorme variedade de mutações e suas consequências. Há personagens com superforça, alta velocidade, formas de manipular o próprio corpo, telepatia e muitas outras habilidades.
A série inova ao trazer realismo para algo tão irreal, mostrando a empresa Vought que agencia esses heróis, os Supers. A Vought contrata e organiza como eles devem se comportar e atuar na sociedade, transformando a atividade quase em um emprego comum. A empresa também mascara muitas irregularidades em troca de fama, publicidade e, logicamente, dinheiro.
Com o encerramento da série, finalmente podemos analisar se essa tentativa excêntrica de criar novos super-heróis funcionou.
Continuidade da série
Um dos grandes problemas de The Boys foi como a história se estendeu. Em alguns momentos, ficou a sensação de que o roteiro estava sendo arrastado. A organização dos acontecimentos apresentou lacunas que incomodaram muito os fãs, um efeito que já vinha sendo sentido desde a terceira temporada.
Não temos como negar que foi uma produção muito divertida. O humor ácido, cheio de cenas de extrema violência e piadas pesadas, sempre nos surpreendia. Nós nos perguntávamos se as loucuras assistidas teriam limites e éramos facilmente impressionados. Essa era uma das principais atrações da série.
Se olharmos a fundo, toda essa extensão não era necessária, principalmente para chegar a uma quinta temporada. A trama poderia ter sido melhor otimizada em vários momentos, mas o receio de acabar fez com que a fórmula de violência e sarcasmo se estendesse por todo esse caminho. Nessa extensão de sete anos de série, algumas construções provavelmente foram se perdendo por falta de manutenção.
Trailer Oficial
Análise de The Boys: Temporada final
Desenvolvimento dos personagens
Billy Bruto sofreu com esse efeito, pois parecia que o roteiro não conseguia estabilizar sua posição. Ele oscilava entre um vigilante atormentado que busca vingança mas tem boas intenções e um louco sedento por sangue que passa por cima de tudo à sua frente. A própria história parecia não saber o que fazer com ele. Embora a trama tenha construído a ideia de que todos os personagens estavam se desumanizando devido às tragédias que enfrentavam, Bruto não se estabilizou. Cheguei a pensar que ele se tornaria o grande vilão no final, o que os roteiristas de fato tentaram fazer, mas sem sucesso.
Leitinho (Capitão Pátria), por outro lado, foi um bom personagem, e seu arco de desenvolvimento aconteceu de forma natural. Ele evoluiu de um sonhador que buscava acabar com os supers maléficos para alguém que desistiu do próprio sucesso, retornando à sobriedade no final para fazer o melhor trabalho possível junto com o grupo. A série ainda explicou a origem de seu apelido, Leitinho de Mãe, algo que todos esperavam.
Personagens indo e vindo também exemplificam as falhas de estrutura, já que muitos foram simplesmente apagados quando o roteiro não sabia o que fazer com eles. Espoleta, Sábia, Black Noir, Soldier Boy e outros saíram da história sem que seus arcos fossem concluídos de verdade.
O mesmo aconteceu com Ryan, filho do Capitão Pátria, que ia e voltava da trama. Ele era um elemento-chave no começo, um dos maiores ganchos da história, e a série nos fez acreditar que ele seria tão forte quanto o próprio pai, mas acabou virando apenas um personagem recorrente. Prolongar tanto a narrativa sem saber onde queriam chegar foi a parte mais frustrante. Construíram muita expectativa e não souberam cumprir as promessas criadas ao longo do tempo.
GEN V
Ainda falando sobre roteiro e criação de expectativas, a série peca muito com os personagens de Gen V. A Amazon Prime produziu uma série spin-off de duas temporadas no mundo de The Boys, apresentando outro grupo, com novas histórias e conflitos. Ali, acompanhamos uma Super com poderes extremamente fortes, quase uma das mais poderosas de todo o universo da franquia.
Particularmente, eu adorei a produção, que tem uma atmosfera divertida e os mesmos elementos principais de The Boys. No final, a expectativa era que as duas frentes se cruzassem, formando duas equipes para vencer o Capitão Pátria.
No entanto, eles foram completamente deixados de lado, servindo apenas para algumas conversas motivacionais no final... antes de serem mandados para longe. Muitos esperavam ver o grande encontro das duas séries, mas o resultado foi uma grande frustração e um desperdício de potencial.

Paternidade e abandono
Com certeza, uma das melhores partes da série são os momentos de desconforto, quase sempre comandados pelo próprio vilão, Capitão Pátria. Desde o começo, sentimos o peso da loucura desse homem; mesmo quando ele dá um leve sorriso, todos à sua volta sentem pavor.
Com uma infância roubada pela Vought, sendo torturado e tendo seus limites físicos testados para se tornar o super perfeito, o Capitão Pátria não teve direito a uma mãe ou a um pai, nem a acalento ou segurança. Tudo foi criado artificialmente para lucrar em cima de sua história de sofrimento. Isso lhe causou tantas sequelas que, até o final, vemos o quão quebrado é seu psicológico.
Ainda assim, ele se apega com toda a força à busca por aceitação e família. No começo, isso acontece de forma obsessiva com Madelyn Stillwell, quase como uma figura materna, depois com seu filho Ryan e com Soldier Boy, seu pai biológico. O Capitão Pátria se apegou violentamente a cada um deles, mas todos o rejeitaram e criaram barreiras cada vez mais distantes.

Sua procura incessante por adoração o tornou louco, a ponto de criar uma religião para si mesmo, onde seria um Deus para aqueles que o venerassem. Ele precisava compensar a falta de afeto e se sentir amado, exigindo que o mundo o validasse, nem que fosse pela força e pelo medo. Esse comportamento sempre afastou mais as pessoas, e no final quase todos o abandonaram, abrindo ainda mais suas feridas emocionais e deixando pouquíssimos aliados ao seu lado.
O ator Antony Starr fez um trabalho excelente ao internalizar esse personagem insano. Seu papel teve vida durante toda a série, e a insanidade parecia real. As risadas e os choros foram muito bem interpretados, e sabíamos pelo olhar do personagem quando ele tinha a intenção de causar uma tragédia.
Dois lados da mesma moeda
Assim como o Capitão, Billy Bruto tem o seu valor. No início, toda a sua personalidade era muito coerente. Até a terceira temporada e no começo da quarta, sentíamos um desenvolvimento muito intrigante, onde um dos mocinhos já estava preparado para mergulhar no papel de vilão. Todos ao redor dele, inclusive nós que assistimos, estávamos nos preparando para esse momento.
Ambos cultivavam um ódio mortal pelo outro, mas caminhavam muito próximos, criando uma relação "divertida" de se acompanhar. Torcemos para que o momento do confronto chegasse logo, principalmente depois que Bruto nivelou o jogo. O ator também foi fantástico durante a série, e suas expressões marcantes tornaram o personagem único.

Críticas sociais em The Boys
É curioso ver como The Boys faz muitas críticas sociais, retratando aspectos da sociedade deles que se espelham na nossa. A série aborda desde negacionismo científico até intolerâncias, discriminações e a disseminação de fake news.
Como exemplo, na última temporada, o super-herói responsável pelos oceanos é pago para defender a extração e o uso de petróleo; logo em seguida, ocorre um acidente ambiental de grandes proporções e muitos animais marinhos pagam o preço.
Há também momentos em que as empresas mostram vidas utópicas nas telas, mas a realidade por trás das câmeras é completamente diferente, tudo feito apenas para vender e lucrar. A série faz várias críticas de forma direta, escancarando realidades do nosso mundo no universo deles.
O Último Episódio
Como mencionado, o roteiro não foi bem preenchido ao analisarmos a obra por completo. Estenderam a série e o resultado foi um final apressado. O personagem do Capitão Pátria foi construído para ser um adversário insuperável, superforte, imune e indestrutível. As conversas entre os personagens sempre seguiam o mesmo caminho, afirmando que enfrentá-lo beirava o suicídio, o que fez com que muitos o seguissem por medo.
Criou-se a expectativa de que derrotá-lo seria uma tarefa muito difícil, quase impossível. Uma das soluções pensadas foi o vírus que poderia matá-lo, mas que também destruiria todos os supers do mundo, inclusive os bons, que faziam parte do time principal. Construiu-se então uma corrida: os protagonistas tentando desenvolver o vírus e o Capitão tentando achar o soro que o tornaria imune. Com esse soro, tudo estaria acabado, já que ele seria praticamente imortal.
Nos últimos episódios, no entanto, pensaram em outro plano e a trama correu: todos os que sobraram contra ele e seus últimos seguidores. O último episódio ficou encarregado de finalizar tudo o que estava aberto e teve que ser extremamente corrido, sem tempo para preparar a história. Novamente, o roteiro foi o principal ponto negativo.

Da forma como aconteceu, a resolução não pareceu algo difícil. A luta poderia ter sido bem mais emocionante, já que o Capitão não demonstrou todo o poder que a série inteira prometeu, e o plano também não foi extremamente bem elaborado, mesmo com a Sábia, a personagem mais inteligente do universo, migrando para o lado dos protagonistas. [Spoiler]{Ela perdeu os poderes, mas só depois de tudo já ter sido articulado}.
Os roteiristas poderia ter tido mais tato nesse final tão aclamado. Não foi uma vitória satisfatória de se acompanhar e esperávamos mais, principalmente uma participação dos personagens de Gen V, nesse confronto final. Fiquei o episódio todo esperando alguma surpresa, mas foi um desfecho seguro até demais. Nem mesmo na loucura final de Billy Bruto conseguiram recuperar as promessas feitas.
Conclusão
The Boys foi uma série muito criativa e original. Ela se arriscou bastante na temática de super-heróis e fugiu do convencional. Estamos acostumados a ver heróis como símbolos de paz e justiça, mas a obra mostra que, no mundo real, eles podem ser extremamente vilanescos, o que torna a experiência inovadora.
Nota: 7,5 de 10
Mesmo com os problemas de estruturação da história, ainda é divertido assistir, pois muitas coisas acontecem e o ritmo é constantemente animado. Os personagens se deparam com situações sufocantes, violentas e inusitadas, em diálogos repletos de baixaria.
Se você não se incomoda com cenas explícitas de violência ou nudez, palavras de baixo calão e bizarrices, vai se divertir bastante. Sempre há uma surpresa no episódio seguinte para te deixar chocado ou de boca aberta.













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