Animação de Stranger Things
A animação Stranger Things: Tales from '85 retorna ao inverno de Hawkins, em 1985, entre a segunda e a terceira temporada.
Lançada pela Netflix em abril de 2026, a série tenta expandir o universo sem tocar diretamente no seu desfecho principal.

Produção, formato e trilha sonora
A produção fica a cargo da Flying Bark Productions sob a supervisão de Eric Robles, e assume uma estética caprichada, com personagens que, além de se mostrarem muito parecidos aos seus pares humanos, possuem desempenhos melhores, como é o caso da Eleven animada, que em alguns momentos transmite mais verdade do que a atuação de Millie Bobby Brown.
A opção por um formato animado é uma ótima solução para contar certas histórias, já que permite explorar elementos visuais que o live-action não alcançaria com a mesma liberdade, como criaturas mais exageradas, deformações do espaço e sequências mais dinâmicas. Sem falar que os protagonistas não sofrem com a passagem do tempo, que os envelhece além do período narrativo.

A trilha sonora incorpora referências musicais dos anos 80, reforçando a nostalgia, mas não me vem à memória nenhuma faixa realmente marcante em algum episódio.
Uma pena, porque as músicas são uma das faces mais nostálgicas da série.
A trama de Tales from '85
A trama acompanha novamente Eleven, Mike, Dustin, Lucas, Will e Max, enquanto as fissuras do Mundo Invertido não deixaram de ser um perigo, assim como resquícios do outro lado nas mãos erradas. Entretanto, em vez de um único portal ameaçador, o perigo se dilui em fenômenos menores.
Apresentando criaturas inéditas e eventos sobrenaturais que surgem na cidade, a série chega a introduzir personagens novos, como Nikki, uma garota com um visual meio punk, que passa a integrar o grupo e ajuda a trazer uma certa leveza a mais dentro desse, por causa de sua personalidade diferenciada.

O tom da narrativa, porém, é um pouco diferente do live-action: aqui existe menos sobrevivência extrema e mais investigação, curiosidade e aquele espírito juvenil de aventura típica dos anos 80.
Recepção da crítica
A animação amplia o espetáculo, é claro, mas suaviza o horror, tanto que a classificação indicativa se torna mais leve e o estilo visual reduz o impacto dramático que caracterizava a obra original, criando uma experiência menos intensa.

E é justamente por isso que a recepção se torna morna, alcançando avaliações medianas, com cerca de 68% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma pontuação de 55 no Metacritic.
Críticos apontam que, embora a animação capture a nostalgia da franquia, ela sofre com a ausência de tensão verdadeira. Outros destacam que o projeto parece mais uma expansão de marca do que uma necessidade narrativa genuína. Já uma parcela da crítica reconhece o valor da produção como porta de entrada para novos espectadores.
Tales from '85 é uma série sem motivos
Assistindo a Tales from '85, eu reconheci tudo de Stranger Things: a memória afetiva, o clima dos anos 80, a camaradagem entre o grupo... No entanto, não me trouxe a mesma sensação de quando vi a série em sua primeira temporada.
Após tantos anos, creio que a animação chega tarde, depois que o título precisa de um descanso para voltar por algum motivo ou enredo interessante. Quem sabe até mesmo aposentando seu elenco principal e nos apresentando um novo grupo sem qualquer relação com o inicial.
Há aqui uma grande lição de que nostalgia apenas não sustenta uma produção.

A imortalidade dos principais
A opção por uma suavização para o formato animado também acabou até mesmo com um vício recorrente da série que, embora nada inovador, era o que dava a sensação de perigo: a morte de alguém querido. Um personagem pelo qual o público se apegasse e que, devido ao Mundo Invertido, perderia a vida.
Sempre achei esse recurso covarde por parte dos criadores, porque nunca tiveram coragem de provar esse perigo renunciando a um dos protagonistas. Sem falar que, depois da segunda vez, essa escolha narrativa se tornou cansativa e nada surpreendente. Contudo, era ao menos algo que deixava claro que, em Hawkins, os perigos são reais e letais.
Aliás, saber que ninguém do grupo principal corre risco é um dos problemas de lançar a produção após encerrar as temporadas. Sabemos que nada nesse cenário vai causar dano nos garotos, e isso não nos faz sentir tensão alguma.
Falta de criatividade
Outro detalhe irritante durante os episódios é o uso constante de um recurso, que em determinado momento parei de contar quantas vezes acontece, que é de alguém sempre pisando em algo, fazendo barulho e chamando a atenção de alguma criatura. Utilizam tanto esse recurso que, em certo ponto, fiquei com raiva mesmo de vê-lo, me perguntando o que está acontecendo com a criatividade desses roteiristas.

Devo dizer que, pelo menos, Nikki é uma boa nova integrante. Ela é divertida e sua amizade com Will é bem desenvolvida, dois opostos que se transformam numa harmonia agradável de acompanhar.
Infelizmente, esse é o maior elogio que faço a Stranger Things: Tales from '85, que ainda carece de um bom motivo para existir, já que não apresenta nada de novo. Nem emocionante, nem maravilhosamente misterioso ou cômico.
Se a animação tivesse sido lançada no máximo até a terceira temporada, ainda seria interessante, mas agora parece apenas que chegou tarde demais.

Vale a pena assistir Tales from '85?
Se você for muito fã da série e não gosta da possibilidade dela ter que acabar, ou pelo menos fechar de vez esse ciclo, sim, vai se divertir.
Se for outro tipo de fã, que acha que esse grupo já cumpriu sua missão e que histórias em Hawkins são bem-vindas, desde que novas e com mais elementos que despertem interesse, talvez não.
Prefira outro título para passar seu tempo, porque a diversão aqui não é nada além de uma animação bem-feita.
Nota: 3,5 de 5.
Você acha que Hawkins precisa de um descanso ou espera ansioso por mais produções do título?













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