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Stranger Things 5: Final tão ruim que ninguém aceita e quer episódio extra

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Com o final de Stranger Things tendo finalmente chegado, a série fecha portas demais, deixa pontas soltas demais e entrega um desfecho tão insatisfatório que parte do público passou a acreditar que ele é falso. Nas redes, uma teoria ganhou força: o verdadeiro final ainda não foi lançado.

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O que aconteceu em Stranger Things

Não é nenhuma novidade que Stranger Things é um fenômeno de público. Ao longo de 10 anos da série, a trama surpreendeu, cativou e emocionou muita gente. Houve temporadas boas e temporadas nem tão boas assim. Momentos marcantes e inesquecíveis, mas a quinta temporada periga ser a mais lembrada, e agora, não de uma maneira positiva.

Marcada com uma temporada lenta, cheia de explicações e que busca encerrar arcos, a quinta e última temporada da série deixou a desejar em diversos aspectos, incluindo o seu encerramento completamente insatisfatório ao ponto do fandom da série, isto é: a comunidade de fãs de Stranger Things, começar a entrar em uma grande teoria batizada de "#ConformityGate", na qual se crê que o episódio final é uma mentira fabricada por Vecna e que o episódio verdadeiro ainda iria ao ar.

Pode parecer loucura, mas a teoria faz muito sentido! Vamos por partes:

Aviso: A partir de agora, entraremos em uma análise da quinta temporada COM spoilers

Análise com Spoilers

Enredo da 5a temporada

A quinta e última temporada de Stranger Things retoma a história logo após o colapso entre Hawkins e o Mundo Invertido, com a cidade marcada por fendas abertas e um clima constante de catástrofe iminente.

Vecna assume de vez o posto de vilão central e passa a conduzir um plano grandioso para consolidar a fusão entre os dois mundos, agora sem muito mistério, mas com muitas explicações.

Ao longo da temporada, a série se dedica menos a criar tensão e mais a justificar sua própria mitologia, revisitando traumas, explicando origens e tentando amarrar arcos antigos. O episódio final leva os personagens a um confronto direto no território inimigo, apresentado como encerramento definitivo da ameaça.

O problema é que, ao apostar em um desfecho tão explicativo quanto pouco catártico, a série termina deixando uma sensação incômoda de vazio, como se o fim existisse mais para cumprir tabela do que para concluir uma história.

Um triângulo amoroso forçado e o Dustin
Um triângulo amoroso forçado e o Dustin

A obsessão por fórmula

A partir da segunda temporada, ficou claro que existe uma estrutura a ser seguida em cada uma das temporadas da série. Um vilão, um mistério, uma separação, o arco do reencontro e uma batalha final onde uma nova normalidade será estabelecida.

O problema não é a existência da fórmula, mas a forma preguiçosa como ela passa a ser usada. Em vez de surpreender, a série se contenta em reorganizar as mesmas peças, como se estivesse mais preocupada em não desagradar do que em realmente encerrar sua história. Nada ali soa perigoso, nada escapa do controle, nada parece capaz de desestabilizar o próprio universo que a série construiu.

Na quinta temporada, essa obsessão atinge seu limite. Cada arco dramático parece cumprir uma função burocrática, cada conflito é resolvido com a eficiência de quem precisa bater ponto emocional. O apocalipse chega, mas chega comportado. O fim do mundo acontece, mas dentro do cronograma. Ao transformar o encerramento em mais um exercício de fórmula, Stranger Things não falha por ousar demais, mas por ousar de menos, e cobrar do público um envolvimento emocional que o próprio roteiro já não parece disposto a oferecer (desde a primeira temporada).

Vecna? Quem diria? Bom, eu não diria…
Vecna? Quem diria? Bom, eu não diria…

Quando a ciência vira rádio-novela

Mas é no desejo de explicar o inexplicável, quase ansiando ser um Interstellar cientificamente apurado e “realista”, que Stranger Things dá um tiro certeiro no próprio pé. A necessidade constante de explicar tudo, de forma cíclica, repetitiva e quase infantil, transforma a mitologia da série em algo risível, soando menos como ficção científica e mais como uma rádio-novela desesperada para ser levada a sério.

As explicações “científicas” usadas para justificar sua fantasia, além de extremamente simplificadas, não chegam nem perto de sustentar o que propõem. O Mundo Invertido é um buraco de minhocas, mas que conecta com uma outra dimensão NUNCA ANTES MENCIONADA, onde viviam todas aquelas criaturas.

Essas criaturas, por sua vez, obedecem aos interesses de um homem amaldiçoado por uma pedra igualmente NUNCA ANTES MENCIONADA, que a partir desse contato desenvolve poderes sobrenaturais. Tudo surge tarde demais, sem preparo e sem consequência real, como se a série estivesse inventando regras enquanto corre para justificar o final.

Porque, obviamente, a origem dos monstros é muito mais urgente de ser explicada do que a origem dos poderes telecinéticos dos protagonistas, né? E a situação se torna ainda mais constrangedora quando, na batalha final, dentro do território original dessas criaturas, não aparece um morcego, cachorro ou humanoide endiabrado disposto a tentar matar o grupo de adolescentes e adultos que invade deliberadamente seu mundo.

É possível que essa ausência seja devido ao recesso de fim de ano, já que, brilhantemente, a Netflix optou por lançar a temporada no feriado. Afinal, até os demogorgons parecem trabalhar de carteira assinada. Vecna pode ser acusado de tudo, menos de ser um mal contratante.

Uma dimensão inédita para explorar
Uma dimensão inédita para explorar

O Conformity Gate

Depois da exibição do episódio final, parte do público de Stranger Things simplesmente se recusou a aceitar que aquilo era o encerramento definitivo da história. Não por birra gratuita ou incapacidade de lidar com finais, mas porque o desfecho entregou tão pouco impacto emocional e narrativo que soou incompleto. Foi nesse vácuo que surgiu o chamado Conformity Gate, uma teoria que defende que o episódio final exibido seria, na verdade, uma ilusão criada por Vecna, e que o verdadeiro final ainda estaria por vir.

Segundo a teoria, inconsistências visuais, resoluções apressadas e decisões estranhamente anticlimáticas seriam pistas deliberadas de que o público foi enganado. O episódio “real” existiria como uma peça secreta, ainda não lançada, pronta para subverter tudo o que foi visto. Pode parecer exagero, mas a força do Conformity Gate não está na sua lógica interna. Ela está no desespero coletivo de um fandom tentando encontrar sentido onde o roteiro falhou em oferecer.

Mike protegendo as crianças do Conformity Gate
Mike protegendo as crianças do Conformity Gate

O que torna tudo ainda mais sintomático é o silêncio absoluto em torno da teoria. Nem os criadores da série, nem a Netflix se pronunciaram oficialmente para negar a existência de um episódio extra ou de um “final verdadeiro”. Esse vácuo de comunicação, longe de esfriar os ânimos, funciona como combustível. Quanto mais silêncio, mais esperança. Quanto mais esperança, mais teorias. O Conformity Gate cresce não porque seja plausível, mas porque ninguém teve coragem de dizer claramente que é só isso mesmo.

No fim, a teoria diz menos sobre conspirações mirabolantes e mais sobre frustração. Quando uma série termina bem, o público debate. Quando termina mal, o público nega. O Conformity Gate não prova que existe um episódio secreto. Ele prova que Stranger Things chegou ao fim de um jeito tão insatisfatório que parte de seus fãs prefere acreditar em manipulação narrativa a aceitar que essa foi, de fato, a conclusão pensada para a história.

Max desmaiada após descobrir que não tem episódio 9
Max desmaiada após descobrir que não tem episódio 9

Spin-offs de Stranger Things

Com o fracasso eminente do final da quinta temporada de Stranger Things, ficou claro qual era a solução mais lógica para encerrar a história: mais explicações. Pouco depois da exibição do último episódio, a Netflix confirmou dois novos spin-offs ambientados no mesmo universo. Um deles, uma série de animação situada entre a segunda e a terceira temporada. O outro, uma produção paralela dedicada exclusivamente a explicar como a maleta com a pedra foi parar na caverna antes do encontro com Henry ainda criança.

A ironia é quase didática. Diante de um final confuso, a resposta não foi aceitar o desgaste da narrativa, mas aprofundá-lo. Em vez de permitir que o mistério respire, a franquia insiste em explicá-lo até a exaustão, transformando cada falha narrativa em oportunidade de conteúdo. Stranger Things não termina porque não sabe terminar. E quando o encerramento vira apenas o ponto de partida para novos produtos, o problema deixa de ser o público que não aceitou o final e passa a ser uma série incapaz de sustentar o próprio desfecho.

Steve prester a serrar o final em 2 spin offs
Steve prester a serrar o final em 2 spin offs

Conclusão

O final de Stranger Things não provocou luto, catarse ou despedida. Provocou negação. O Conformity Gate não nasce de uma genialidade conspiratória do fandom, mas de um descompasso evidente entre o que a série prometeu ao longo dos anos e o que efetivamente entregou em seu encerramento. Quando a história falha em oferecer sentido, o público tenta fabricá-lo por conta própria.

Ao optar por um desfecho excessivamente explicativo, pouco arriscado e emocionalmente burocrático, a série não apenas enfraquece seu próprio impacto como expõe sua maior limitação. Stranger Things não sabe lidar com o mistério sem imediatamente tentar domesticá-lo. Não sabe terminar sem deixar a porta aberta para o próximo produto. E, sobretudo, não confia o suficiente em sua própria narrativa para aceitar o silêncio como resposta.

No fim das contas, não existe episódio secreto, ilusão final ou grande revelação escondida. Existe apenas uma série que preferiu preservar a franquia em vez de honrar a história. E quando o público precisa inventar outro final para suportar o que viu, talvez o problema nunca tenha sido a teoria, mas o próprio encerramento que se recusou a ser, de fato, um fim.

Nota: 1.5 de 5

E você? O que achou do final de Stranger Things? Já superou ou ainda está aguardando o episódio secreto que nunca vai existir?

Ansioso para ver os próximos quatorze spin-offs?

Até a próxima!