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Review - Invincible 3ª Temporada: A imponência de Thragg

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Com mais uma temporada de Invincible chegando ao fim, nos aproximamos do desfecho da trama. Analisamos os principais pontos da última temporada, confira abaixo!

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revisado por Tabata Marques

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Será que é “Invencível”?

Após a sangrenta guerra invencível e o árduo confronto contra Conquista, que foi considerado o ápice da série, Mark continua de cabeça erguida, salvando o máximo de pessoas possível e ajudando o mundo como pode, quase sem descansar.

Algo que a série trabalha muito bem é a mudança que os personagens vêm sofrendo. Se compararmos o Mark do começo da série com o de agora, é muito notável o amadurecimento do personagem. Houve pouquíssimas mudanças físicas, apenas novos uniformes, mas é perceptível como seus pensamentos vêm mudando e como ele vem perdendo parte de sua “inocência”.

Dilemas morais e desenvolvimento de personagens

Surge então o dilema sobre matar ou não seus inimigos: se isso seria errado ou se seria melhor para o mundo, já que haveria menos chance de outro atentado acontecer. Assim, a série abre a temporada com dilemas morais sobre ser certo ou não matar seus inimigos e se ele pode descansar ao menos um pouco.

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Como a série trabalha com várias tramas paralelas à história principal, os acontecimentos secundários são usados para desenvolver os personagens.

Com a invasão dos Sequids, Mark precisou tomar uma decisão. Os conflitos já desenvolvidos foram muito bem utilizados para aprimorar o desenrolar da história. Como há uma carga emocional muito forte entre os personagens, devido a tantas tragédias e perdas, os heróis precisam lidar com suas inseguranças, medos, traumas e falhas.

Novamente, esse é um ponto que a série executa muito bem: Mark e outros personagens estão psicologicamente abalados, perdendo o controle de suas decisões e a noção de ética. As situações nas quais são forçados a vivenciar os mudaram, mostrando que, mesmo em uma ficção, ainda são orgânicos.

Principalmente no último episódio da temporada, em que Mark precisa tomar outra decisão pesada, e dessa vez uma que vai definir a próxima temporada.

A tentativa de uma redenção

Sendo uma temporada focada no espaço e nos vilões, grande parte da história se passa fora do planeta Terra, incluindo um episódio inteiro sobre Allen, Omni Man e Telia se aventurando pelo universo. É um episódio levemente diferente do habitual, mas ainda assim bastante divertido. Fica claro que esse episódio serve para voltarmos a nos simpatizar com o Omni Man após suas atrocidades. É uma parte fundamental da história, marcando seu arco de redenção, na busca pelo perdão daqueles que sobreviveram, mesmo já aceitando que muitos não vão perdoá-lo.

A série então divide momentos para que cada personagem tenha uma conversa com ele, tanto para que ele se desculpe quanto para processarem os acontecimentos. Uma decisão interessante de roteiro.

Debbie, sendo provavelmente a que mais sofreu, desconta sua fúria. Novamente, a série animada toma a iniciativa, tornando esse momento muito mais marcante do que na HQ, já que chega a ser incômodo ver como ela desaba diante do homem que destruiu sua vida e, ainda assim, ele tenta reconquistar sua confiança. Uma página da HQ se transforma em um trecho do episódio, em que ela expressa toda sua raiva em uma triste tentativa de ferir Nolan.

Oliver também tem um momento com seu pai e precisa pôr para fora suas mágoas. Ele sente que foi abandonado e rejeitado, além de lidar com a morte de sua mãe e com a sensação de abandono. No começo, Nolan o afasta por medo de destruir mais uma vida, o que enfurece Oliver. Apesar de ser um personagem jovem e animado, nesse momento ele demonstra o quanto precisava de uma figura paterna.

Quando Nolan retorna à sua vida, Oliver finalmente tem os momentos que precisava: brincar, conversar sobre seus sentimentos, caçar juntos e compartilhar algo especial para ambos.

Mark, por sua vez, demonstra certa facilidade em aceitar o pai de volta. Ele acreditava tê-lo perdido novamente, então sente alívio em poder lutar ao seu lado.

Batalhas espaciais

Nesse momento da série, o foco é quase totalmente na história principal. Há apenas um breve destaque nos Guardiões Globais e no inferno, funcionando mais como preparação para tramas futuras, aumentando a expectativa sobre como poderemos nos surpreender.

Esse arco espacial traz um clima diferente. Novos personagens são introduzidos, como o Corredor Espacial, que possui uma das armas mais poderosas já apresentadas, capaz de disparar um laser que atravessa qualquer superfície e não possui limite de alcance, podendo causar danos a qualquer objeto ou ser em seu trajeto; e também a Tech Jacket, uma jovem com uma armadura tecnológica extremamente avançada de outra civilização.

Passado e Futuro

Também nos é mostrado mais sobre o passado da série, incluindo a ascensão do governo do Regente Thragg, líder dos viltrumitas. Nessa parte, vemos mais da cultura dessa espécie dominante da galáxia, incluindo Nolan em sua juventude, sendo obrigado a lutar contra seus próprios pais, mesmo contra sua vontade.

Ao revisitar o último episódio da primeira temporada, fica claro como algumas peças se encaixam: Nolan já carregava um desconforto em sua missão na Terra e, embora lutar brutalmente contra seu filho seja um “ritual de passagem” de seu povo, ele demonstra hesitação. As cenas são quase espelhadas. Quando Nolan vê seu pai sendo atingido pelo vírus, ele também hesita por um instante.

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Imperador Argall

Também é apresentado o Imperador Argall, o rei de sangue do Império Viltrum. É mostrado brevemente como ele foi traído e como governou seu povo. Até os dias atuais, Thragg carrega a missão de cumprir os objetivos de Argall, inclusive mantendo seu crânio como um símbolo de motivação.

Como Argall tinha um método impiedoso de liderança, isso gerou divergências entre seus seguidores, dando origem ao primeiro traidor de seu povo: Nessa temporada, finalmente vemos como Thaedus começou a se rebelar contra o império e matou Argall.

Invencível x Conquista

Também temos outro confronto entre Invencível e Conquista, novamente com uma intensidade chocante. Não foi tão impactante quanto a primeira luta no final da terceira temporada, mas ainda assim teve um potencial muito alto. Seu desfecho foi, na minha opinião, o momento mais agoniante, causando grande desconforto.

A direção da cena foi muito bem trabalhada para transmitir essa sensação. Se estivesse sem dublagem e apenas com uma trilha sonora adequada, poderia ter sido ainda mais impactante.

Thragg, o antagonista

Outro momento primordial da temporada foi o penúltimo episódio, que trouxe nosso primeiro vislumbre do grande antagonista Thragg. Sua força assustou a todos. Já no primeiro golpe recebido por Invencível, percebemos sua superioridade. Tanto que todos cogitaram fugir, pois, mesmo unidos, não seriam capazes de vencê-lo. A série deixa muito clara a diferença de poder, tanto na forma como ele golpeia Nolan, resiste a Mark e supera todos em velocidade.

Apesar de ser muito mais forte que todos ali, considera-se que Thragg perdeu, já que seu planeta foi destruído. No entanto, ele já planeja seu próximo movimento: permanecer na Terra e usar os seres humanos para repovoar sua espécie, deixando para Mark a decisão de cooperar ou não.

Considerando que seria impossível vencer os Viltrumitas, Mark fica em uma situação sufocante: aceitar a presença de seu maior inimigo na Terra ou enfrentá-lo sabendo que não tem a menor chance de derrotá-lo?

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Invincible: Diferenças entre a Série e a HQ

A série tem leves pitadas de autonomia e se arrisca ao variar alguns trechos das HQs. Nesta temporada, uma das mudanças mais marcantes foi o diálogo da Debbie com Nolan após seu primeiro encontro depois da tragédia. Ela vive um momento muito dramático e perde o controle de suas emoções, afinal, trata-se de um desabafo intenso. Foi um momento muito bem adaptado para a animação.

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Curiosamente, houve uma mudança na personagem Tech Jacket, já que nas HQs ela era um personagem masculino, mas na animação é uma jovem. Vi que muitas pessoas reclamaram dessa alteração, mas ela não trouxe impacto significativo na história nem mudou acontecimentos importantes, então não chega a incomodar. O mesmo vale para Amber, que nas HQs é loira e, na série, é morena. Como são fatores que não alteram a narrativa, não causam conflito.

Por outro lado, uma mudança que incomoda muitos fãs das HQs está nos detalhes da animação. A série apresenta, em alguns momentos, uma simplicidade excessiva, e cenas que deveriam transmitir maior expressividade acabam perdendo força devido à forma como são produzidas. Nem todos os momentos exigem alto nível de detalhamento, mas em cenas específicas é necessário mais profundidade nos personagens, em sua força e em suas expressões.

Thragg, por exemplo, após perder seu planeta, se encontra desolado e em lágrimas na HQ. Porém, na animação, sua expressão facial fica quase vazia, como se apenas lágrimas estivessem caindo, com sobrancelhas curvadas. Outro exemplo está em certos combates, nos quais a simplicidade dos movimentos fica evidente.

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Redução de Custos na Produção

Os animadores já comentaram sobre a necessidade de reduzir custos em alguns momentos para elevar o nível em outros. O primeiro confronto entre Invencível e Conquista foi excelente, com a melhor animação de toda a série, praticamente ocupando um episódio inteiro e com movimentos muito fluidos.

No entanto, senti falta de um momento tão marcante quanto esse nesta temporada. Mesmo com outra luta contra Conquista e o confronto com Thragg, pareceu que faltou algo no episódio final, que foi mais focado em diálogos e acabou sendo menos impactante.

O que esperar do Futuro de Invincible?

Agora, com viltrumitas infiltrados na Terra, será que Mark conseguirá manter a calma? Ele já estava bastante traumatizado ao retornar ao planeta, chegando a ter visões caóticas com seus colegas e familiares sendo mortos.

Isso nos leva a acreditar que a próxima saga será novamente centrada na Terra. Além disso, há o vírus do flagelo, que pode eliminar a ameaça dos viltrumitas, mas também coloca em risco Nolan e Mark. Cabe a Allen decidir o que fazer diante de tamanha responsabilidade.

Nas tramas secundárias, ainda acompanhamos os conflitos no inferno, onde surge uma grande ameaça: uma guerreira de lava, quase imortal, em busca de guerra. Também precisamos descobrir o paradeiro da Menina Monstro e do Robô, que foram para outra região do espaço onde, devido à relatividade, o tempo passa muito mais rápido. Assim, alguns dias lá podem equivaler a décadas na Terra… então, com que idade eles voltarão?

Pontos positivos e negativos

Prós

- Ótimo roteiro e adaptação

- Momentos de intensidade

- Resolução de conflitos entre os personagens

- Revelação do passado

Contras

- A animação poderia ter sido melhor trabalhada;

- O último episódio poderia ter sido melhor e mais empolgante.

Conclusão

Com mais lutas chegando, Mark precisará ser forte e esperto para lidar com tudo. Esta temporada trouxe muitas surpresas e uma ótima adaptação. A qualidade da série continua boa, com apenas alguns momentos em que a animação deixa a desejar.

Ainda assim, consegue cativar e manter a curiosidade sobre novos perigos e aventuras sangrentas, valendo muito a pena continuar assistindo, ainda mais para quem já adquiriu carinho pelo universo de Invincible.

Nota: 8 de 10.

Até a próxima!