Relembrando o Primeiro Re/Member
Antes de compreender a continuação, é importante pincelar a premissa do primeiro longa, Re/Member, lançado em 2022 no Japão e disponibilizado mundialmente pela Netflix em 2023.
A história acompanha seis estudantes do ensino médio presos em um loop temporal mortal dentro de sua própria escola. Todas as noites, eles revivem o mesmo evento sobrenatural: a busca pelas partes desmembradas de um cadáver espalhadas pelo prédio escolar. Enquanto procuram os fragmentos do corpo, os jovens são perseguidos por uma entidade conhecida como “Pessoa Vermelha”, um ser que vai matá-los repetidamente sempre que falham na busca.

A única maneira de quebrar a maldição é reunir todos os pedaços do corpo e completar o ritual que encerrará o ciclo. O filme mistura terror sobrenatural, suspense e drama juvenil, construindo uma narrativa que combina elementos de slasher, mistério e viagem no tempo.
E então, veio a continuação: Re/Member: The Last Night
A sequência, conhecida internacionalmente como Re/Member: The Last Night, amplia o universo apresentado no primeiro filme e retoma parte de seus personagens centrais. O longa é dirigido novamente por Eiichirō Hasumi e escrito por Yuki Hara e Atsumi Tsuchi, mantendo o mesmo universo narrativo baseado na web novel Karada Sagashi, de Welzard.
O elenco tem nomes conhecidos do primeiro filme e novos personagens, incluindo Kanna Hashimoto, Gordon Maeda, Kaito Sakurai, Seira Anzai, Fuku Suzuki, Marin Honda e Yoshino Kimura.

Voltado ao público jovem, o longa mantém a estética de suspense em ambientes escolares ou com personagens estudantis, explora violência gráfica, perseguições sobrenaturais e um clima de fatalidade constante.
A trama da sequência ocorre alguns anos após os eventos do primeiro filme. A maldição que aprisionava estudantes em um ciclo temporal aparentemente havia sido encerrada, mas novas consequências surgem, e alguém precisa enfrentá-las.
A reconstituição do corpo da vítima no primeiro filme provoca uma mudança na linha temporal, e a própria Asuka, protagonista da história anterior, ocupa o lugar da vítima original do assassinato. Enquanto isso, Takahiro, um dos sobreviventes que ainda lembra da maldição, tenta quebrar definitivamente o ciclo e resgatar Asuka.

Paralelamente, um novo grupo de estudantes é capturado pela mesma maldição e, como no filme anterior, eles precisam reunir partes de um corpo espalhadas por um parque de diversão enquanto são perseguidos pela Pessoa Vermelha. A diferença é que agora o corpo que precisam reconstruir pertence justamente a Asuka.
Assim, o enredo combina duas linhas narrativas: a sobrevivência dos novos jovens presos e a tentativa de Takahiro de destruir a maldição de uma vez por todas.

A Crítica
A crítica internacional reagiu de forma ambígua à sequência; alguns observaram que o filme tenta expandir a mitologia da maldição e dar maior destaque emocional a Takahiro e Asuka.
Por outro lado, diversos críticos apontaram que a história se torna confusa à medida que tenta explicar as mudanças na linha temporal. Além disso, muitos personagens novos recebem pouco desenvolvimento, funcionando apenas como peças descartáveis dentro do ciclo de mortes.
Encontrando o Que Falta
Uma observação interessante sobre Re/Member e sua continuação é que, apesar da premissa parecer centrada na busca literal pelas partes de um corpo, ambos os filmes, na verdade, tratam de conexões.
No fundo, a história nunca foi apenas sobre reunir fragmentos físicos, mas sobre jovens que, de alguma forma, também estão fragmentados por dentro, inseguros, solitários ou deslocados, e que acabam encontrando uns aos outros no meio daquele pesadelo repetitivo. O ciclo de mortes reflete um dispositivo narrativo que os obriga a olhar para si mesmos e para os outros.
Nesse sentido, o primeiro filme consegue trabalhar essa ideia de forma mais eficaz. Ele dedica tempo para mostrar as inseguranças e conflitos pessoais dos personagens, revelando gradualmente quem eles são fora da maldição. As pequenas histórias individuais criam uma base emocional que transforma o grupo em algo mais do que vítimas. Aos poucos, a narrativa mostra que sobreviver depende tanto de confiar nos outros quanto de enfrentar seus próprios fantasmas.

Já no segundo filme, esse aspecto emocional acaba ficando em segundo plano. A trama divide sua atenção entre o casal protagonista do primeiro longa e uma nova linha narrativa envolvendo demais personagens. Um deles, aliás, passa boa parte da história perseguindo um romance pouco desenvolvido com uma coadjuvante para perceber, somente perto do final, que seus sentimentos verdadeiros eram pela amiga que sempre esteve ao seu lado, uma revelação que surge tarde e sem o tempo necessário para criar impacto emocional. Com isso, o filme perde parte do “coração” que sustentava a experiência anterior.
Essa mudança também se reflete no tom geral da produção. Re/Member 2 apresenta mortes elaboradas e efeitos visuais mais evidentes, especialmente nas aparições da “Pessoa Vermelha”, que agora utiliza mais recursos digitais. Porém, embora tecnicamente mais sofisticado, esse visual diminui um pouco do charme estranho do primeiro filme, que se apoiava mais na atmosfera e na sensação de ameaça.

No fim, a sequência amplia o espetáculo, mas deixa escapar parte daquilo que tornava o original envolvente: o sentimento de que, no meio do horror, aqueles personagens estavam tentando encontrar algo muito simples, um lugar onde pertencer e alguém com quem dividir sentimentos. É justamente por manter esse foco emocional que o primeiro filme continua sendo o mais eficaz da dupla.
Vale a pena assistir Re/Member: The Last Night?
Não, não vale.
Se você já assistiu ao primeiro, já viu e se divertiu tudo o que podia. Provavelmente esse segundo vai te deixar entediado.
Nota: 2,5 de 5
E aí, conhece esse filme? Assim como eu, também desconhecia que ele surgiu de uma webnovel?












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