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Análise de Good News – Usando o Humor para Cutucar

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Um longa que usa o humor absurdo para criticar a tudo e a todos.

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revisado por Tabata Marques

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Sobre a Produção de Good News

O longa sul-coreano Good News foi dirigido por Byun Sung-hyun, que também assina o roteiro ao lado de Lee Jin-seong, e estreou na Netflix em outubro de 2025. O elenco principal conta com Sul Kyung-gu, Hong Kyung e Ryu Seung-beum, entre outros.

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A história leva o espectador diretamente para a década de 1970, quando um avião comercial japonês é sequestrado por membros da facção militante conhecida como Red Army Faction. O que começa como uma exigência de voar até Pyongyang, na Coreia do Norte, rapidamente se transforma em um impasse diplomático entre Japão, Coreias e potências envolvidas.

A trama acompanha uma operação secreta liderada por um homem chamado apenas de “Ninguém”, cuja habilidade é resolver problemas políticos complexos. Ao lado dele está o tenente Seo Go-myung, um piloto da Força Aérea, obrigado a colaborar para garantir a segurança dos passageiros e evitar uma crise internacional.

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Com esse enredo, a obra tinha tudo para correr o risco de se tornar um maçante drama político, mas o diretor opta, acertadamente, por contar essa história com sátira e leveza, embora o tema seja sério e a reflexão necessária. Ele consegue, com o uso de tiradas cômicas e mordazes, passar sua mensagem de modo excelente.

A crítica especializada tem comparado o filme a obras de sátiras políticas clássicas, pela habilidade em misturar tensão dramática com humor, apontando como a comédia serve para examinar a incompetência dos aparatos estatais, a vaidade institucional e as narrativas montadas.

História Real

O enredo de Good News se apoia em um caso real ocorrido em 1970, quando o voo 51 da Japan Air Lines partiu do Aeroporto de Haneda, em Tóquio, com destino a Fukuoka, porém foi sequestrado por membros da Fração do Exército Vermelho da Liga Comunista do Japão.

Esse evento passou a ser chamado de Incidente de Sequestro de Yodogo e é uma das histórias mais improváveis da aviação do pós-guerra, misturando idealismo radical, práticas de guerrilha e intrigas da Guerra Fria, envolvendo Japão, Coreia do Sul e Coreia do Norte.

Cerca de 20 minutos após a decolagem, um grupo de nove jovens militantes usou katanas para anunciar o sequestro do avião diante de 122 passageiros e sete tripulantes.

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O objetivo dos sequestradores era fazer disso um ato revolucionário. No início, exigiram que o avião fosse levado a Cuba, onde planejavam receber treinamento militar junto a outros grupos comunistas, mas logo perceberam que o 727 não teria combustível suficiente para a longa travessia. Assim, mudaram a exigência para um destino mais acessível, Pyongyang, na Coreia do Norte.

Durante a crise, o avião pousou em Fukuoka para reabastecer, onde a polícia japonesa convenceu os sequestradores a liberar parte dos reféns. A situação ficou tão complexa que os controladores de tráfego aéreo chegaram a orientar os pilotos de propósito para pousar em Gimpo, em Seul (Coreia do Sul), disfarçando o aeroporto para que parecesse ser Pyongyang, uma manobra arriscada e frustrada, pois foi descoberta pelos próprios sequestradores.

Shinjiro Yamamura, vice-ministro japonês dos Transportes, acabou por se oferecer voluntariamente como único refém em troca da libertação dos passageiros restantes, um gesto que os sequestradores acabaram aceitando antes de seguir para a Coreia do Norte. Lá, no Aeroporto de Mirim, em Pyongyang, o grupo foi recebido pelo regime de Kim Il-sung, que lhes concedeu asilo político e tratamento como convidados de honra, encerrando o sequestro sem que houvesse vítimas fatais.

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A Facção do Exército Vermelho, posteriormente, evoluiu para o grupo conhecido como Exército Vermelho Japonês e era motivada por uma ideologia marxista-leninista, que acreditava que violência e atos espetaculares catalizariam revoluções, embora o tempo mostrasse que a ideia se tornaria insustentável.

O sequestro expôs fragilidades de segurança aérea ainda em desenvolvimento na época. Além disso, a estadia prolongada dos sequestradores na Coreia do Norte, muitos dos quais permaneceram lá por décadas e cujas famílias tentaram negociar retorno ao Japão anos depois, acrescenta uma camada política complexa.

Criticando Geral

Em tempos de polarização política, por vezes extrema, Byun Sung-hyun, inspirado por filmes como Parasita, acertou precisamente em não tomar partido de nada, nem poupar ninguém. Incluindo os apontamentos para as falhas e vícios políticos da Coreia do Sul, onde o poder e a vaidade foram retratados, de forma irônica, como as prioridades das autoridades.

Os canhões também apontaram para a inércia americana em não se envolver no assunto e se focar apenas em discursos clichês sobre liberdade.

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Já os japoneses foram, igualmente, pintados como irresponsáveis e incapazes de lidar com os sequestradores e socorrer os seus passageiros. Enquanto para a Coreia do Norte, a crítica foi mais direta, com direito a uma execução sumária de um agente que não cumpriu bem seu trabalho.

E no fim, Good News expôs, sem qualquer disfarce, o poder da narrativa criada e como tudo se desenrola por baixo dos panos, com verdadeiros agentes que tentam fazer diferença sendo ignorados por aqueles que deviam cuidar de sua nação.

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Vale a pena assistir Good News?

E como vale!

É uma aula de história que nos faz pensar enquanto nos faz rir, com quebras de expectativas e humor de bom gosto.

Você vai se divertir, aprender e pensar muito a respeito do tema que o filme quis expor. E a melhor parte? Sem tomar partido de ninguém, porque lá em cima apenas os interesses deles importam.

E você, conhecia a história sobre o sequestro do Voo 51 da Japan Air Lines ou foi como eu, que só descobriu depois de ver a produção coreana?

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