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Análise de Disclosure Day: Você entendeu o final?

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Spielberg volta aos aliens depois de mais de duas décadas, e o resultado é um thriller torto que só encontra propósito nos últimos quinze minutos. Tecnicamente capenga, tematicamente urgente: por baixo do CGI duvidoso, uma denúncia disfarçada de ficção científica.

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Sobre Disclosure Day

Novo filme de Steven Spielberg chega às telas com gostinho de máquina do tempo. Depois de mais de duas décadas longe dos aliens (o último foi War of the Worlds, lá em 2005), Spielberg faz uma visita surpresa à ficção científica, como aquele amigo sem noção que aparece sem avisar, come toda a sua comida e não percebe que já passou da hora de ir embora. E, para completar, dá para apostar que você não adivinha o subgênero.

Aliens! Pouco previsível, né?! Com roteiro de David Koepp, o mesmo de Mission: Impossible (1996), Spider-Man (2002) e Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (2008), além de uma parceria antiga com o próprio Spielberg, o filme estreia colhendo reações mistas e um monte de gente discutindo tudo, menos o que ele tem a dizer. E dá para desconfiar que boa parte da plateia saiu da sala sem entender direito sobre o que, afinal, esse filme é.

ATENÇÃO! Essa review contém spoilers. A partir daqui é território controlado pela Area 51, cuidado!

ALIENS!!!
ALIENS!!!

Analisando o Enredo

O filme abre já dentro do conflito, sem perder tempo com apresentações. Toda a trama gira em torno de uma agência secreta do governo dedicada a uma única função: impedir, a qualquer custo, que vaze qualquer informação sobre a presença alienígena na Terra. Não é spoiler dizer que os aliens existem nesse universo (o título praticamente entrega isso), nem que um grupo de dissidentes dentro da própria agência decide parar de ser cúmplice e expor tudo de podre que andam fazendo contra essa outra espécie.

A perseguição começa cedo, quando o personagem de Josh O'Connor rouba o item mais precioso do cofre: um artefato alienígena e o arquivo inteiro de cada contato que os Estados Unidos já tiveram com os extraterrestres. É com esse material debaixo do braço, e meia agência no seu encalço, que o resto do filme acontece.

O elenco segura o filme no ombro toda vez que o roteiro escorrega. Josh O'Connor faz o tipo de protagonista que a gente acompanha mesmo quando a cena à volta dele não merece tanto esforço, e Emily Blunt, dividindo o topo do elenco com ele, faz a parte dela com a competência de quem já fez isso muitas vezes e sabe exatamente onde pisar.

Ela sabe carregar um filme nas costas
Ela sabe carregar um filme nas costas

Os deméritos

Comecemos pelo CGI, que está de doer os olhos. Para um filme com o nome de Spielberg na frente e orçamento de estúdio grande, alguns efeitos têm a textura de cena pós-créditos feita às pressas, daquelas que envelhecem antes mesmo da estreia. Quando o assunto são naves e criaturas, o digital entrega bem menos do que prometem os trailers (e olha que trailer existe justamente para inflar expectativa).

As cenas de ação não ajudam. Elas são funcionais no pior sentido da palavra: forçadas, genéricas e recheadas de tropos tão batidos que dá para prever o próximo movimento antes do personagem decidir fazê-lo. É aquele tipo de perseguição que cumpre a função de encher o tempo de tela sem nunca arriscar nada que faça o coração acelerar de verdade.

As reviravoltas do primeiro e do segundo ato seguem na mesma toada. Estão ali para marcar presença, para preencher os requisitos do gênero, mas são bobas o suficiente para que ninguém perca o sono tentando adivinhar. Funcionam como código, mas não como surpresa.

E tem o vício de pular de gênero em gênero: aventura, ação, thriller, ficção científica e uma pitada de comédia, tudo no mesmo prato. Em outro filme, essa mistura poderia ser um trunfo. Aqui, soa mais como desculpa para esticar a metragem e adiar a única coisa que de fato interessa: o final.

Alerta de fofura!!
Alerta de fofura!!

O tema

Incrivelmente uma das coisas que menos se fala sobre o filme é sua temática. Sabemos que na ficção científica os dispositivos ficcionais são metáforas para falar de coisas da realidade. A melhor coisa que o filme carrega nesse sentido é sua metáfora.

Tudo só se amarra e passa a fazer sentido para além das regras do próprio universo nos últimos quinze minutos, quando as imagens roubadas pelo protagonista finalmente vêm à tona. É esse o momento que dá razão de existir ao filme inteiro, o que transforma a ficção científica em algo para se pensar sobre o mundo real, e não apenas sobre homenzinhos verdes.

Quando as imagens começam a rodar, aos poucos, vemos fragmentos do que o exército norte-americano já fez com os aliens: como tratam essa outra espécie, os tipos de tortura, os desrespeitos, a frieza burocrática de quem transforma um ser vivo em objeto de estudo. E aí o filme deixa de falar de extraterrestres. Todo o esforço para impedir que esse material vá a público funciona como denúncia escancarada dos crimes de guerra cometidos mundo afora, e da impunidade confortável de quem os comete e depois justifica tudo em nome de "avanços tecnológicos" ou de "recursos naturais". Troque os aliens por qualquer população que a história já tratou como descartável e o filme continua funcionando.

É aqui que aquele acúmulo cansativo de gêneros e reviravoltas finalmente cobra sentido, como se o filme tivesse passado duas horas testando a sua paciência só para que esses minutos finais doessem mais. Não é desculpa para o que veio antes, mas é uma boa carta na manga.

Você sabe quem são os vilões…
Você sabe quem são os vilões…

Vale a Pena Assistir a Disclosure Day?

Disclosure Day definitivamente não é um Magnum Opus, e seria generoso fingir que é. É um filme tecnicamente irregular, longo demais para o que entrega na maior parte do tempo, e que passa boa parte da metragem te fazendo conferir as horas. Mas é também um filme que precisava ser feito agora, exatamente como foi.

A temática é boa demais, urgente demais, relevante demais para ficar escondida atrás de um CGI capenga e de cenas de ação no piloto automático. Spielberg usou o gênero para acender uma luz sobre algo que muita gente prefere manter no escuro, e isso, convenhamos, ainda conta bastante. Só não conta o suficiente para mais do que isto aqui:

Nota: 3 de 5

E você? Vai contar sua experiência alien para a gente nos comentários?

Até a próxima!