Laerte Coutinho
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Laerte Coutinho

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Laerte Coutinho é uma cartunista e quadrinista brasileira, conhecida pela longa série Piratas do Tietê e por cofundar a revista Balão.

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Laerte Coutinho é uma cartunista, roteirista e humorista brasileira, nascida em São Paulo em 1951. Seus desenhos começaram a chegar aos leitores nos últimos anos da ditadura militar brasileira, e ela mais tarde se tornou uma figura central da geração de artistas ligada à imprensa alternativa e às tiras de jornal. Seu trabalho foi publicado em importantes veículos brasileiros, incluindo a Folha de S.Paulo, onde suas tiras e cartuns conquistaram um grande público diário. Nos anos 1970, ajudou a criar a revista Balão, uma publicação importante para a cena independente de quadrinhos de São Paulo, e a aproximar cartunistas que, à época, experimentavam além dos formatos comerciais.

Entre suas criações mais conhecidas estão Os Piratas do Tietê, um grupo recorrente de piratas que navega, de modo improvável, pelo fortemente poluído Rio Tietê, em São Paulo, e Hugo, um personagem infantil cujas histórias transformam situações domésticas em comédia. Outra figura duradoura é Suriá, uma protagonista adolescente cujas tiras transitam entre vida familiar, escola e fantasia. Em vez de manter um único universo fixo, Laerte alterou repetidamente os formatos de suas tiras, suas abordagens visuais e seus elencos. Essa flexibilidade é visível em obras que combinam jogos de palavras, interrupções surreais, observação social e piadas sobre os próprios quadrinhos. O formato de tira de jornal permitiu que personagens recorrentes envelhecessem, desaparecessem e retornassem em circunstâncias alteradas.

Laerte trabalhou com Angeli e Glauco, dois outros influentes cartunistas brasileiros, na obra colaborativa Los Três Amigos. A associação dos três representou uma vertente muito visível do humor adulto nos jornais brasileiros. Em 2009, Laerte passou a viver publicamente como mulher, uma mudança que abordou em entrevistas e em sua arte. Suas tiras posteriores incluíram observações sobre expressão de gênero, roupas, desejo e os absurdos práticos da vida pública, sem abandonar o humor imprevisível pelo qual era conhecida. Sua transição também a tornou uma figura pública transgênero de destaque no Brasil, onde se manifestou contra o preconceito e defendeu os direitos das pessoas trans.

O documentário de 2017 Laerte-se, dirigido por Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, acompanha a vida de Laerte e suas reflexões sobre identidade, trabalho e visibilidade. Lançado pela Netflix, apresentou-a a espectadores além do público habitual dos jornais brasileiros. Laerte também escreveu para a televisão, incluindo TV Colosso, o programa infantil produzido pela Rede Globo nos anos 1990. Em cartuns, tiras, roteiros e entrevistas públicas, sua carreira registra mudanças no humor brasileiro, preservando um interesse reconhecível pela contradição: piratas heroicos habitam um rio urbano, discussões cotidianas se abrem para a fantasia, e a vida de uma cartunista se torna matéria para uma autoanálise cômica e investigativa.

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