
Carmen Miranda nasceu Maria do Carmo Miranda da Cunha em 9 de fevereiro de 1909, em Marco de Canaveses, Portugal. Sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, Brasil, quando ela ainda era bebê. Antes de entrar no mundo do entretenimento, trabalhou em uma chapelaria, experiência que mais tarde ajudou a moldar a imagem extravagante, centrada em chapéus, associada aos seus figurinos de palco.
Sua carreira fonográfica começou no Brasil no fim dos anos 1920. Em 1930, sua gravação de “Pra Você Gostar de Mim”, amplamente conhecida como “Taí”, tornou-se um grande sucesso e a estabeleceu como uma voz importante da música popular brasileira. Ela interpretava sambas com dicção excepcionalmente precisa, frases rápidas e uma entrega animada que se adequava ao rádio, aos discos, ao teatro e ao cinema. Durante os anos 1930, tornou-se fortemente associada a “O Que É Que a Baiana Tem?”, do compositor e cantor Dorival Caymmi, que interpretou no filme brasileiro Banana da Terra, de 1939. A canção ajudou a popularizar o traje inspirado na Bahia, que incluía turbante, brincos longos e uma cesta de frutas estilizada.
No mesmo ano, o produtor Lee Shubert levou Miranda à Broadway para The Streets of Paris. Sua estreia americana atraiu considerável atenção, e a 20th Century-Fox a contratou pouco depois. Ela apareceu em Down Argentine Way, em 1940, com Don Ameche, embora suas cenas musicais tenham sido filmadas separadamente da história principal. O filme fez dela uma figura de destaque em Hollywood e associou sua imagem pública à era da Política de Boa Vizinhança dos Estados Unidos, quando os estúdios promoviam artistas e cenários latino-americanos para incentivar a solidariedade hemisférica.
Miranda participou de várias comédias musicais da Fox, incluindo That Night in Rio, Week-End in Havana, Springtime in the Rockies e The Gang’s All Here. Em The Gang’s All Here, de Busby Berkeley, de 1943, ela interpretou “The Lady in the Tutti-Frutti Hat” em meio a enormes bananas artificiais, uma das imagens mais reconhecíveis do espetáculo musical em Technicolor de Hollywood. Sua persona na tela era conscientemente exagerada: inglês acelerado, trocadilhos cômicos por uso incorreto de palavras, sapatos plataforma, adereços de cabeça altíssimos e números musicais construídos em torno de ritmos influenciados pelo samba.
Embora a publicidade americana frequentemente reduzisse sua identidade a uma caricatura “latina” genérica, Miranda continuou sendo uma artista brasileira cuja carreira havia começado muito antes de Hollywood. Ela retornou ao Brasil em 1940, onde alguns críticos a acusaram de ter se tornado americanizada demais; sua resposta incluiu a canção “Disseram Que Voltei Americanizada”.
Carmen Miranda morreu de ataque cardíaco em 5 de agosto de 1955, em Beverly Hills, Califórnia, aos quarenta e seis anos. Foi sepultada no Rio de Janeiro, onde seu túmulo continua sendo um destino para admiradores.
Artigos
Lorena Comparato viverá Carmen Miranda






Reações
0
0 Comentários
Seja o primeiro a comentar