Enredo de Cashero
A obra foi criada por Lee Chang-min, Lee Jane e Jeon Chan-ho, e seu protagonista, Kang Sang-woong, é interpretado por Lee Jun-ho.

O drama se concentra na vida de um homem comum, Kang Sang-woong, que herda poderes sobre-humanos, mas tem um sério porém: cada uso desses poderes drena o dinheiro que carrega nos bolsos, o que imediatamente coloca em xeque os atos altruístas e os dilemas econômicos.
A partir daí, o protagonista precisa ponderar constantemente se ajudar os outros vale o custo de perder seus próprios parcos recursos. Assim, Cashero traz uma questão sobre escolhas e prioridades na vida, usando-se de temas como estabilidade econômica, responsabilidade social e moralidade.

Crítica
Apesar da ideia original, a crítica tem estado dividida. Algumas análises elogiam a originalidade do argumento, destacando que Cashero traz um frescor ao gênero ao fazer com que cada ato de heroísmo seja medido não apenas em termos morais, mas em termos de sacrifício real do protagonista, o que é uma ideia que faz todo sentido num mundo onde escolhas difíceis entre bem-estar pessoal e bem-comum são parte do cotidiano de muitas pessoas.
Outras críticas, porém, são mais contundentes, apontando falhas no roteiro e na execução, sugerindo que a série, apesar de seu conceito promissor, nem sempre consegue explorar plenamente o seu potencial dramático, tropeçando em uma narrativa que oscila entre humor leve e melodrama, sem se fixar em nenhum deles.
Apesar disso, a série alcançou posições altas no ranking global de séries não-inglesas da Netflix, o que sugere que teve boa aceitação do público geral.
Entre o Dinheiro e a Moral
O ponto forte de Cashero é, sem dúvida, essa constante indagação do herói sobre fazer o bem a custos pessoais, literalmente.
Já que não estamos falando de um Bruce Wayne, e sim de um homem que está paupérrimo e ainda por cima tem uma parceira que deseja se casar, comprar um apartamento e ter uma confortável vida juntos, ele se vê sempre entre a cruz e a espada: salvar indivíduos que nada têm a ver com sua vida ou priorizar seu relacionamento e bem-estar.

Isso faz com que muitos de nós nos identifiquemos com ele, por ser uma pessoa com dilemas comuns, de pessoas comuns. O que certamente é o que faz com que Peter Parker seja um dos heróis mais queridos do mundo ressoa aqui também, quando o público se identifica com o protagonista e suas limitações.
Seria fácil demais ser um herói bilionário, com recursos quase infinitos, onde perder dinheiro ajudando desconhecidos não fizesse diferença no fim do mês, mas e quando isso é literalmente seu risco de falência? O que você escolheria?

O altruísmo é muito bonito na teoria, mas a série mostra os prejuízos na prática e ainda coloca mais um fator limitante sobre os poderes de Kang Sang-woong: o dinheiro nunca pode ser de outra pessoa, apenas dele mesmo, e só existe exceção se ele ganhar a quantia de alguém ou pegar um empréstimo.
Ou seja, o herói, pé rapado, ainda precisa se endividar para ajudar o próximo.
E então, será que alguém, na mesma situação, faria o mesmo?
Analisando os Personagens de Cashero
Apesar do enredo interessante, a série peca um pouco no desenvolvimento dos personagens e, tirando o casal principal, os demais são apenas pincelados.
Suas histórias, origens e questões pessoais mal são apresentadas e, principalmente, suas convicções sequer são mencionadas para dar consistência aos seus motivos para agir. Porque usar os superpoderes aqui requer algum tipo de sacrifício e, para tanto, é necessária uma ótima motivação.
Lee Jun-ho nos entrega um simpático protagonista, mas não chega nem perto do seu carisma apresentado em Typhoon Boss. Aqui, o personagem é às vezes um tanto flat e não entrega tanto em suas dúvidas morais, apesar de apresentá-las, por vezes parecendo não tão consistente.

O pai, que lhe passou suas habilidades, é apresentado como alguém apático que, em vários momentos, parece não se importar com a responsabilidade que jogou nas costas do filho. Afinal, que pai o faria sem ficar ao menos com a consciência pesada em deixar o filho correr risco real de morte?
Em certa altura da série, o pai aconselha Kang Sang-woong sobre o uso de seus poderes, mas são palavras clichês e nada profundas, algo como: “seu coração é a fonte de seus poderes”. O que, honestamente, nem foi tão necessário, já que a curva de crescimento do protagonista já o apresentava consciente de suas motivações e caráter.

E sabemos que não é bem assim, porque nessa obra o protagonista poderia ter o melhor coração do mundo, desejar salvar a humanidade inteira, mas sem dinheiro ele nada mais seria que alguém cheio de boas intenções.
Os vilões são bastante maniqueístas, chegando a parecer caricatos em vários momentos. O que buscam é poder e dinheiro, e apenas isso.
Em uma série que apresenta uma dúvida moral tão interessante, haveria margem para dar motivos variados para que os vilões agissem, tornando assim a trama ainda mais dúbia e envolvente.
Faltou criatividade nesse quesito.
Fraqueza e pontas soltas
Mas uma das maiores falhas da série são os furos e pontas soltas.
Personagens que pareciam ter sido mortos, e que se o fossem fariam total sentido, surgem do nada no final do capítulo, sem qualquer explicação sobre como a organização permitiu que eles sobrevivessem.
A doença terminal que um dos parceiros de Kang Sang-woong apresenta em uma cena, onde ele se mostra depressivo a respeito, nunca é desenvolvida, tornando-se uma cena solta e desnecessária. Assim como a introdução de uma filha nas cenas finais, filha essa que sequer foi mencionada ao longo da série.

Movimentos do vilão, que se mostra desde o início provocando o herói a usar seus poderes, não são explicados. Como ele já sabia da existência de Kang Sang-woong? Foi avisado? Por quem? Por que tem essa obsessão pessoal pelo protagonista?
De onde saiu o orçamento de Kang Sang-woong para concretizar seu objetivo no final da série, já que sempre o retrataram como um pé rapado?
Falta muito, muito desenvolvimento e explicações para situações que, se não apresentadas, não fariam falta.
Então, juntando todas essas lacunas, a obra se torna menos interessante do que poderia ser.

Vale a pena assistir Cashero?
Vale sim, como um bom entretenimento.
Mas, se você for do tipo de espectador que percebe as falhas e isso o incomoda, vai se decepcionar um pouco.

Porém, se quiser só maratonar um dorama curto para se divertir sem maiores pretensões, vale as horas gastas.
Agora me diz, você também gastaria tudo o que tem e o que não tem para salvar desconhecidos?












— commentaires 0
, Réactions 1
Soyez le premier à commenter