Lindas e Letais: Uma Bela Ideia
A premissa do filme é boa, embora não inédita, se lembrarmos de Abigail. Contudo, ver bailarinas, tão lânguidas e delicadas, sentando porrada em brutamontes sempre será um deleite.
Lindas e Letais (em inglês, Pretty Lethal), produção original da Amazon Prime Video dirigida por Vicky Jewson, se trata de um thriller de sobrevivência que mistura balé com violência física. O roteiro fica a cargo de Kate Freund e, no elenco jovem, estão as atrizes Iris Apatow, Lana Condor, Millicent Simmonds, Avantika e Maddie Ziegler, além da grande Uma Thurman.

Sinopse
A história acompanha um grupo de jovens bailarinas que, a caminho de uma competição, sofre um imprevisto na estrada. Isoladas em uma floresta húngara, elas acabam encontrando uma hospedaria que rapidamente revela uma face sombria. Presas após testemunharem um homicídio, precisam lutar para sobreviver contra criminosos, transformando disciplina, ritmo e controle corporal em armas. O balé se traveste de um estilo marcial.
Crítica
A recepção internacional afirma que a ideia é melhor do que a execução.
O The Guardian destaca a criatividade das sequências de ação, especialmente na forma como a coreografia se mistura com o combate físico, no entanto essa força não possui o mesmo nível de profundidade no desenvolvimento narrativo.

Outros críticos apontaram que o filme sofre com uma progressão dramática previsível. Há também a menção da falta de aproveitamento de uma atriz do calibre de Uma Thurman, cuja presença o roteiro não consegue sustentar.
Para finalizar, o público, embora não o veja como excelente, afirma que é um filme divertido.
Comparações
Não tem como não comparar Pretty Lethal com filmes do gênero, como Abigail, nesse caso até mesmo se emprestando do balé para dar a falsa impressão de fragilidade às garotas, como também Casamento Sangrento, cujo sucesso garantiu uma sequência.
Infelizmente, as duas obras mencionadas foram bem mais felizes em suas execuções.

Abigail tem sua força no fato de que a bailarina é uma criança, deixando a ação ainda mais absurda.
Sem mencionar o desenvolvimento dos personagens. Aqui, cada um tem um tempo de tela para mostrar quem é e de onde vem, tirando o mariner, que era o mais raso.
Em Abigail, até mesmo o brutamontes bobão nos faz sentir empatia por causa de seu bom coração. Não sei os outros, mas senti pela morte dele e da hacker.
Há também algo de muito perigoso na presença, ainda que ausente, do pai da bailarina vampirinha. Mesmo sem estar em tela, sabemos o perigo que ele representa através do que os personagens sentem e falam a respeito dele.
Em Pretty Lethal há uma tentativa de repetir o feito mencionando Lothar Markovic, entretanto falhando miseravelmente. O motivo é que não sabemos o que Markovic já fez para ser tão temido, para servir como ameaça. Não passa de um nome solto na trama e, embora tenha envolvimento direto com a personagem de Uma, não nos causa o menor interesse.
Comparando a obra com Casamento Sangrento, ela também falha onde o segundo acerta: o humor.
O segundo nos faz rir, seja de nervoso pelo gore, seja pelos momentos de total desconexão com a realidade, seja pelas tiradas fora de hora. E eles trabalham tão bem essa nuance entre ação, suspense e comédia que, mesmo rindo, o perigo está presente. Sabemos que a noiva pode morrer e ficamos tensos por ela, porque ela nos gera empatia.

Já em Pretty Lethal, as personagens não nos geram qualquer empatia. Tirando Bones, que sabemos ser de origem humilde e por isso mais agressiva, e Princesa, a patricinha insuportável que tem um arco de redenção bem óbvio, quase nenhuma delas tem qualquer profundidade que nos faça torcer ou temer por suas vidas.
As situações em que o humor acontece são fracas e nos esboçam no máximo um sorriso de canto. Posso apontar que apenas uma, a adaptação de um texto bíblico por uma bailarina drogada, me fez rir com vontade.
Os vilões não são dignos de nota, todos fracos e estereotipados.
Até a Devora Kasimer, de Uma Thurman, que por ter um background mais desenvolvido poderia nos gerar mais sentimentos, não alcança o mérito. Nós até entendemos seus motivos, mas não nos importamos com ela.

O Lado Bom
A ação é, sem dúvida, o que chama mais atenção no filme.
É divertido ver as garotas usando passos de balé para atacar e se defender e, como é completamente ilógico, tem sua graça.
Há também que se reconhecer o bom trabalho de coreografia para transformar uma arte sensível em golpes que literalmente tiram vidas.

Também é importante ressaltar como elas falham muito durante as lutas, e isso é bem importante para dar verossimilhança à trama, já que, embora sobreviventes, são jovens bailarinas e não lutadoras de rua.
Vale a Pipoca?
Se sua vontade é desligar o cérebro e se divertir com situações completamente antológicas, vale sim.
Ignore as pontas soltas e destaques que não levam a lugar algum, como o filho mais jovem de Devora que foge e simplesmente não se fala mais nele, ou o filho surdo que, apesar do filme deixar isso tão evidente, não serviu para nada no decorrer da história, e garanto cerca de uma hora e meia de risos e satisfação em ver bailarinas amassando vagabundos.
Nota: 3,3 de 5
E vocês, gostam desse tipo de ação misturada a suspense e humor, onde o desenvolvimento não conta muito, ou preferem que o roteiro seja mais bem trabalhado?












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