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Review do final de Beastars: O Lobo bom

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Ao final da saga de Beastars podemos finalmente ver como se dá o desfecho da obra. Será que foi só mais uma série de animais antropomórficos? É isso que analisaremos a seguir!

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revisado por Tabata Marques

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Sinopse de Beastars

A obra Beastars: O Lobo Bom chega ao fim. Mas será que poderia ter sido melhor?

A série é baseada no mangá escrito por Paru Itagaki, que conta a história de um universo animalesco onde, em vez de seres humanos, quem reina são os animais, todos com características antropomórficas. Isso pode causar estranhamento no começo, seja pelo formato dos personagens ou pela animação 3D, mas, com o tempo, surpreende bastante. É um mundo parecido com o de Zootopia, da Disney, onde a cultura é baseada nos animais, suas características e, principalmente, em seus instintos.

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A história narra a vida de um adolescente chamado Legoshi, um lobo cinzento que vive um amor “proibido” com uma coelha e tenta se entender em um mundo repleto de animais de diferentes espécies, mas que carregam traços de humanidade a todo momento.

O que mais chama a atenção na série são os dilemas morais e os conflitos sociais, que apresentam situações fora do nosso cotidiano, mas que, ao mesmo tempo, trazem reflexões profundas. Por exemplo: como não há humanos, apenas animais, existem regras específicas para o bem-estar social, como a separação entre carnívoros e herbívoros, o que gera um grande tabu na sociedade: o consumo de carne.

Sobre o mundo

Todos os ambientes são adaptados para animais de pequeno e grande porte. Existem espaços específicos que ajudam a lidar com os instintos de diferentes espécies, como áreas para caninos brincarem, felinos arranharem ou répteis se aquecerem. Em resumo, é um mundo bem planejado, com sua própria organização. É interessante observar como a cultura é estruturada com tantas possibilidades de estilos de vida.

Com tamanha diversidade entre espécies marinhas, terrestres e voadoras, todo o ecossistema reflete a ampla variedade do reino animal. Há planejamento nas cidades para atender a todos: nas escolas, por exemplo, tentam agrupar animais que convivem melhor em coletivo e isolar os mais independentes; marcas de roupas produzem uma grande variedade de tamanhos; existe uma religião própria, baseada nos dinossauros, vistos como entidades quase divinas antes da civilização; há diferentes tipos de trabalho, sendo que alguns animais têm mais facilidade em certas áreas, como coelhos na botânica ou predadores nos esportes.

E, como em toda civilização, também existem crimes. Não é proibido consumir ovos, leite ou usar lã… inclusive, é mostrada uma empresa de laticínios que contrata animais que produzem leite em grande escala. No entanto, não é permitido consumir carne, tanto por questões éticas quanto por estimular instintos agressivos em carnívoros. Ainda assim, existe o chamado Mercado Negro, onde carne e até seres vivos são comercializados. Boa parte da série se passa nesse local, sempre com um clima bastante pesado.

Relembrando as primeiras temporadas de Beastars

Voltando ao protagonista: Legoshi, por ser um lobo alto, forte e de expressão séria, é frequentemente mal compreendido. Ele é temido por muitos, causando medo em animais menores e até mesmo em alguns maiores. No entanto, sua personalidade é extremamente gentil, e seus atos são marcados por delicadeza, sempre buscando causar o mínimo de desconforto possível aos outros.

Apesar do medo inicial que provoca, aqueles que o conhecem acabam se surpreendendo com sua verdadeira natureza, tornando-o muito querido no clube de teatro, onde grande parte da série se desenvolve.

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A escola Cherryton é uma instituição de renome e serve como cenário principal das duas primeiras temporadas, onde os personagens centrais são apresentados.

A trama principal do anime é o romance proibido entre Legoshi e Haru: um lobo e uma coelha, um carnívoro ameaçador e uma herbívora vulnerável. O anime aborda diversos temas reflexivos, especialmente através desse casal, que questiona constantemente se sua relação é realmente possível, dada a diferença entre eles e a força de seus instintos.

Legoshi se esforça para controlar seus impulsos de caça, enquanto Haru enfrenta seus medos e inseguranças para seguir em frente sem se machucar. Ambos aprendem sobre o mundo, sobre a vida e sobre seus próprios sentimentos e receios, tornando a jornada envolvente e emocionante de acompanhar.

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Há diversas histórias paralelas envolvendo outros personagens, cada um com suas próprias complexidades, influenciadas por suas diferenças de espécie. Como o melhor amigo de Legoshi, um cachorro que tem dificuldade em dizer não e é extremamente carente; características típicas de sua espécie, mas que acabam levando-o a um estado de forte depressão. Ou Juno, outra loba que também se envolve em um romance proibido com alguém de outra espécie. E Louis, que enfrenta a pressão de seu pai para se tornar o sucessor de uma grande empresa, destacando-se em tudo e deixando de lado sua paixão pelo teatro e sua amizade com Legoshi, que desde o início rouba a atenção do veado-vermelho. Assim, diversos conflitos vão se desenvolvendo à medida que as aulas seguem seu curso.

Análise: O Final de Beastars

Na terceira temporada, a história foi dividida em duas partes: uma lançada em dezembro de 2024 e a segunda em março de 2026. É nesse momento que a narrativa começa a ganhar uma essência diferente, perdendo um pouco do teor filosófico e focando mais na ação. Legoshi continua reflexivo sobre sua vida e sentimentos, mas agora está focado em resolver o caso de Melon, o grande vilão.

Novos personagens são apresentados, e o ambiente escolar acaba ficando um pouco de lado. Como Legoshi deixa a escola e tenta viver na cidade, há menos foco nos alunos e no clube de teatro. Eles ainda aparecem, mas com menos frequência. No clube, surgem divergências, pois a escola passa a obrigá-los a trabalhar separadamente: herbívoros de um lado e carnívoros do outro.

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No entanto, ninguém consegue se adaptar, pois funcionam melhor juntos. A série aborda muito bem temas como preconceito e segregação, mostrando como os personagens (ou animais, no caso) se tornam reféns dessa realidade, enquanto a própria sociedade reforça essa divisão. Ainda assim, eles encontram formas de contornar a situação. Como fazem parte de um grupo de teatro, tentam criar uma peça que mostre a importância da união e como essa separação não é benéfica. Esses movimentos sociais trazem densidade à obra, que se torna envolvente pela proximidade que criamos com os personagens. Nesse contexto, Juno ganha mais destaque por ser uma boa atriz e ajudar a manter os animais unidos.

O vilão

A outra parte da temporada, que funciona como o segmento principal, mostra Legoshi trabalhando ao lado do Beastar (Yahya) para capturar um criminoso psicopata. Esse criminoso faz com que carnívoros percam o controle ao consumir uma substância inserida em produtos alimentares, causando caos na cidade.

O antagonista, Melon, é um híbrido (filho de um antílope com uma leoparda), algo que a sociedade rejeita fortemente. Sua existência é controversa: seu corpo mistura características de carnívoros e herbívoros, tendo força e habilidades de caça, além de agilidade e reflexos, mas também traços delicados que contrastam com sua intensidade.

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Como vilão, ele é extremamente bem construído. Melon não consegue sentir prazer nem se sentir vivo, pois seu corpo híbrido rejeita tanto alimentos de origem animal quanto vegetal. Assim, ele não sente prazer em comer nem em outras experiências do mundo. Sua sensibilidade à dor também é reduzida, o que o levou a fazer tatuagens extremamente dolorosas de melões para esconder as manchas de leopardo herdadas da mãe.

Como mencionado, a criadora demonstra atenção aos detalhes: quem faz as tatuagens de Melon é um bicho-preguiça, tornando o processo ainda mais demorado e doloroso, quase insuportável, mas com excelente acabamento.

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Infelizmente, é nesse ponto que a série começa a perder um pouco de seu “toque”. Como já havia lido o mangá anteriormente, havia uma preocupação sobre como isso seria adaptado no anime. A narrativa passa a focar na perseguição a Melon, que se torna líder da Shishigumi (a máfia formada por leões) e se envolve em um evento chamado Dia da carne, que reúne disputas entre famílias mafiosas pelo controle de território.

Foi o momento em que mais senti resistência ao assistir. No anime, isso é mostrado de forma mais rápida; no mangá, há mais desenvolvimento e mais personagens envolvidos, mas ainda assim poderia ter sido melhor trabalhado.

O anime poderia ter explorado mais a história de Melon, sua infância e os conflitos com sua mãe, que lhe causava desconforto, além da perseguição que sofreu quando criança, sendo alvo de tortura psicológica por professores e colegas de escola. Embora essas cenas apareçam, são apresentadas de forma muito rápida.

Outro ponto pouco explorado é a relação de empatia de Legoshi com Melon: além de querer impedi-lo por seus crimes, Legoshi se preocupa com o fato de Melon ser fruto de um relacionamento entre espécies diferentes; algo que o afeta diretamente, já que ele deseja, no futuro, ter um filho com Haru. Isso poderia aprofundar ainda mais o envolvimento emocional do protagonista.

Conclusão - Vale a pena assistir Beastars até o final?

Beastars possui uma personalidade bastante única. Apesar da temática de animais antropomórficos, semelhante a obras como Zootopia ou Caras Malvados, por ser uma animação voltada ao público adulto, tem liberdade para explorar conflitos mais intensos e relações mais profundas. Conta com um humor próprio, dilemas interessantes e personagens bem desenvolvidos, cada um com suas questões internas e formas de lidar com elas.

Há muitos momentos e detalhes que enriquecem a obra e nos fazem mergulhar nesse mundo animalesco. Por exemplo: para os leões, a juba é um símbolo de honra; para os animais marinhos, a nudez é algo natural, e comer outros peixes não é visto da mesma forma que em terra, pois seguem outras regras; o mesmo vale para os insetos. Animais com galhadas possuem rituais de troca de chifres, e espécies venenosas são treinadas para lidar com seus perigos e evitar acidentes. Tudo isso contribui para a construção de uma civilização complexa, com estruturas sociais próprias, crenças e preconceitos a serem enfrentados. É isso que torna Beastars uma obra sobre animais extremamente humana.

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Nas duas primeiras temporadas, especialmente na primeira, os conflitos dos personagens foram melhor desenvolvidos, tanto no aspecto romântico quanto no pessoal. Isso não significa que a última temporada seja ruim, mas o foco excessivo no conflito com Melon acabou tornando a progressão mais cansativa, apesar de ele ser um bom vilão. O problema está mais na condução da narrativa do que na qualidade do personagem.

Nota: 7.5 de 10

Se você não se incomodar com a estética dos animais e com a animação, há grandes chances de gostar. É um anime mais focado em diálogos, mas ainda assim pode ser bastante envolvente.

E você, o que achou de Beastars? Nos conte nos comentários abaixo e até a próxima!