
José Mojica Marins (1936–2020) foi um cineasta, ator, roteirista, apresentador de televisão e produtor brasileiro, mais conhecido por criar o personagem de terror Zé do Caixão, chamado internacionalmente de Coffin Joe. Nascido em São Paulo em 13 de março de 1936, ele cresceu em meio a cinemas: seu pai administrava uma sala de cinema, e Mojica começou a fazer filmes com amigos ainda jovem. Trabalhando em grande parte fora do sistema de estúdios estabelecido no Brasil, desenvolveu uma obra de filmes de terror de baixo orçamento intensamente pessoal, marcada por cemitérios, imagens blasfemas, violência surreal e humor negro. Mojica apresentou Zé do Caixão em À Meia-Noite Levarei Sua Alma, lançado em 1964. Ele próprio interpretou o personagem: um coveiro de cartola e capa, unhas compridas, barba espessa e uma crença absoluta na superioridade de sua própria linhagem. Coffin Joe rejeita a religião e a moralidade convencional, procurando uma mulher que considere digna de gerar seu filho. O filme é amplamente reconhecido como o primeiro longa-metragem de terror do Brasil. Seu sucesso estabeleceu o personagem como um ícone popular controverso e deu a Mojica uma presença inconfundível na tela. Ele continuou a história em Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), que incluiu uma elaborada sequência em cores em um filme que, de resto, é em preto e branco. Nele, Coffin Joe visita uma visão infernal povoada por almas torturadas. Mojica retornou repetidamente ao personagem em filmes, aparições na televisão, histórias em quadrinhos e performances públicas. Seu último longa-metragem de Coffin Joe, Encarnação do Demônio, estreou em 2008, mais de quatro décadas após o filme original. Embora a censura, a instabilidade financeira e reações críticas hostis frequentemente tenham complicado sua carreira, Mojica realizou muitas produções além do ciclo de Coffin Joe. Entre elas estavam O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968), uma antologia em três partes, e Finis Hominis (1971), no qual interpretou uma misteriosa figura quase nua apresentada como uma presença messiânica. Seus filmes misturavam cinema de exploração com sátira social e frequentemente confrontavam ansiedades brasileiras sobre autoridade, sexualidade, classe e religião. A obra de Mojica mais tarde conquistou reconhecimento cult internacional. Diretores e críticos citaram sua inventividade visual e sua capacidade de criar um cinema marcante com recursos limitados. Ele permaneceu intimamente identificado com Coffin Joe durante toda a vida, aparecendo frequentemente caracterizado em eventos e na televisão. José Mojica Marins morreu em São Paulo em 19 de fevereiro de 2020, aos 83 anos.
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