
Heleno Nunes foi um dirigente de futebol brasileiro cujo período no comando do futebol nacional coincidiu com os últimos anos da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a criação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele sucedeu João Havelange na presidência da CBD depois que Havelange foi para a FIFA e supervisionou o futebol brasileiro em uma época em que as competições nacionais, as federações estaduais e a política nacional estavam excepcionalmente entrelaçadas. Nunes é, portanto, lembrado principalmente não como jogador ou treinador, mas como um dirigente que ajudou a moldar a dimensão e a administração do campeonato brasileiro durante os anos 1970. Sua presidência na CBD abrangeu a campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1978, na Argentina. A equipe, treinada por Cláudio Coutinho e com jogadores como Zico, Roberto Dinamite e Nelinho, terminou invicta, mas não chegou à final depois que a vitória da Argentina por 6 a 0 sobre o Peru deu aos anfitriões o saldo de gols necessário. O Brasil derrotou a Itália por 2 a 1 na disputa pelo terceiro lugar. Embora o futebol apresentado pela equipe e a controvérsia Argentina–Peru dominem as lembranças daquele torneio, Nunes era a principal figura da confederação responsável pelo contexto institucional em que a seleção nacional era administrada e representada no exterior. Seu gabinete cuidava da logística e das relações com a FIFA para o futebol brasileiro. A associação mais duradoura de Nunes é com a expansão do Campeonato Nacional de Clubes, predecessor da atual Série A. Em 1979, a competição admitiu noventa e quatro clubes, um número enorme que refletia tanto a pressão das federações estaduais e de aliados políticos quanto critérios esportivos. Uma frase amplamente atribuída a ele capturava a lógica do sistema: “Onde a ARENA vai mal, entra mais um time no Nacional; onde a ARENA vai bem, entra mais um time também.” A ARENA era o partido governista durante o regime militar brasileiro. O Internacional de Porto Alegre venceu aquele campeonato de 1979, derrotando o Vasco da Gama na série final. Essa expansão não tornou a abordagem de Nunes universalmente admirada; ela se tornou um exemplo duradouro nas discussões sobre os torneios nacionais brasileiros superdimensionados e influenciados pela política. Ainda assim, também demonstra a autoridade então exercida pela CBD sobre um futebol profissional em rápido crescimento. Em 1979, o futebol separou-se administrativamente da CBD multiesportiva, e a CBF surgiu como entidade especializada no esporte. Nunes liderou a transição em nível nacional antes de ser sucedido por Giulite Coutinho. Seu legado está, consequentemente, ligado a uma mudança institucional decisiva: o fim do papel da CBD no futebol e o início da era da CBF no Brasil.
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Só coisa bizarra!!






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