
Be-Papas é um coletivo criativo japonês mais conhecido por Revolutionary Girl Utena, um projeto desenvolvido em mangá, animação para televisão e cinema. O grupo foi formado em 1996 pelo diretor Kunihiko Ikuhara após seu trabalho em Sailor Moon. Seus membros creditados incluíam a artista de mangá Chiho Saito, o roteirista Yōji Enokido, o animador e designer de personagens Shinya Hasegawa e o editor Yūichirō Oguro. Be-Papas não se limitou a adaptar um quadrinho já estabelecido: seus membros conceberam Utena como uma iniciativa multimídia interligada, cujas versões em mangá e animação compartilham personagens e motivos, mas divergem acentuadamente em enredo e ênfase.
O mangá Revolutionary Girl Utena, de Saito, começou a ser serializado na Ciao, da Shogakukan, em 1996. Ele acompanha Utena Tenjou, uma estudante que usa uniforme masculino e deseja se tornar um príncipe. Na Academia Ohtori, ela é envolvida em duelos formais de espada relacionados a Anthy Himemiya, chamada de Noiva da Rosa. O anime, dirigido por Ikuhara e produzido pela J.C.Staff, foi exibido em trinta e nove episódios, de abril a dezembro de 1997. Enokido trabalhou em seus roteiros, e Hasegawa ajudou a criar os designs dos personagens. Os duelos recorrentes da série, os interlúdios de teatro de sombras, o planetário de Akio Ohtori e as cartas seladas com rosas do Conselho Estudantil tornaram suas imagens marcantes; sua narrativa acaba por reinterpretar os aparentes papéis de conto de fadas da academia como estruturas de coerção e controle.
Em 1999, Be-Papas retornou ao material com Adolescence of Utena, o longa-metragem de animação também conhecido como Revolutionary Girl Utena: The Adolescence of Utena. Produzido pela J.C.Staff e dirigido por Ikuhara, ele não foi uma continuação do episódio trinta e nove. Em vez disso, recontou a premissa de forma condensada e alterada, dando ao relacionamento de Utena e Anthy uma conclusão diferente e transformando o mundo de Ohtori em uma paisagem ainda mais abertamente surrealista. O mangá de Saito foi reunido em cinco volumes tankōbon, enquanto a série de televisão mais tarde se tornou um importante ponto de referência para discussões sobre gênero, sexualidade, adolescência e simbolismo em animes.
O nome do coletivo é particularmente significativo nos créditos do mangá: as edições identificam a história como “Be-Papas”, enquanto creditam Saito pela arte. Esse arranjo reflete a origem colaborativa do projeto, embora a direção de Ikuhara seja central para as obras animadas. Utena foi a criação definidora de Be-Papas, e a formação do grupo em 1996, a serialização na Ciao, a exibição de 1997 e o longa de 1999 estabelecem uma cronologia clara de seu trabalho. Entre essas versões, Be-Papas utilizou repetidamente o príncipe, a noiva, o castelo, a rosa e o duelo como recursos dramáticos mutáveis, e não como decorações fixas de fantasia, fazendo dos contrastes entre as mídias uma parte essencial da identidade documentada do projeto na história da animação japonesa moderna.







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