
Ademar José Gevaerd (1962–2022) foi um ufólogo brasileiro cuja identidade pública tornou-se indissociável da Revista UFO, revista de longa data que fundou em 1985. Nascido em Ponta Grossa, no estado do Paraná, ele transformou seu interesse precoce por relatos de objetos voadores não identificados em uma carreira editorial e de pesquisa, e não apenas em um hobby pessoal. Desde seus primeiros números, a Revista UFO deu aos avistamentos brasileiros, registros militares, relatos de testemunhas, fotografias e casos internacionais um veículo nacional dedicado. Gevaerd atuou como seu editor e principal representante público durante décadas, tornando o título um dos mais conhecidos periódicos brasileiros dedicados ao assunto. Seu trabalho organizacional é anterior à revista. Em 1982, Gevaerd ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), geralmente traduzido em inglês como Centro Brasileiro de Pesquisa de Discos Voadores. O nome do grupo refletia o antigo vocabulário de “disco voador”, enquanto suas atividades incluíam a coleta de testemunhos e a divulgação de casos. Gevaerd mais tarde tornou-se um proeminente defensor da divulgação de material oficial de OVNIs brasileiros. Ele foi associado à campanha “UFOs: Liberdade de Informação Agora”, que pressionou as autoridades brasileiras a transferir e abrir registros mantidos por órgãos militares. A divulgação de documentos relativos a eventos, incluindo o episódio do radar da Força Aérea Brasileira em 1986 e a Operação Pires de 1977-78, tornou os arquivos oficiais centrais para a cobertura da revista. Gevaerd também utilizou conferências para conectar o público brasileiro com pesquisadores e testemunhas estrangeiros. Organizou ou participou de encontros sobre OVNIs, incluindo eventos promovidos sob o nome International UFO Congress Brazil, e entrevistou figuras ligadas a casos célebres. Seu trabalho voltou repetidamente aos incidentes brasileiros: Operação Pires em Colares, Pará; o episódio de Varginha de 1996; e a noite de 19 de maio de 1986, quando aeronaves da Força Aérea perseguiram alvos de radar. Em sua revista, tais reportagens eram apresentadas por meio de documentação, comparação e acesso a fontes. Essa ênfase em arquivos e testemunhos distinguiu sua abordagem editorial. Gevaerd faleceu em 9 de dezembro de 2022, aos 60 anos. Sua morte encerrou uma gestão de 37 anos da Revista UFO, mas a publicação continuou e preservou um registro visível de suas prioridades editoriais. Para a ufologia brasileira, sua importância não reside em um único encontro alegado, mas nas instituições que ele construiu: CBPDV, uma revista nacional, eventos públicos e pressão sustentada para preservação e divulgação de documentação sobre OVNIs mantida pelo Estado. Esses projetos concretos fizeram dele uma referência duradoura no campo OVNI do país para pesquisadores, leitores e arquivistas oficiais, e deram aos investigadores um registro documental compartilhado ao longo de décadas de publicação.
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