Produção de Se Desejos Matassem
Gosto muito de filmes que me deixam tensa, mas detesto levar susto ou ver um excesso de escatologia; creio que por isso prefiro mil vezes o horror asiático ao hollywoodiano. Então, quando vi essa série disponível na Netflix, li o resumo e cliquei para assistir.
Devorei em dois dias.
Se Desejos Matassem (em inglês, If Wishes Could Kill) não é inovadora ou extremamente criativa, mas tem os aspectos que aprecio nesse gênero quando produzido por mãos japonesas, tailandesas, coreanas etc.

A produção começa com todo o estilo de dorama: amanhecer claro, estudantes adolescentes, casal, pequenos atritos entre personalidades diversas em um grupo de cinco amigos.
O protagonismo fica a cargo de Jeon So-young no papel da esportiva Se-ah, que, órfã dos pais mortos em um acidente de carro, é criada por sua tia. A perda dos pais é um trauma que ela carrega, junto à culpa, algo que em algum momento terá de superar.
No grupo de amigos temos Geon-woo (Baek Sun-ho), o vizinho e namorado de Se-ah; Im Na-ri (Kang Mi-na), a amiga vaidosa que nutre uma paixão por Geon-woo; Hyeong-wook (Lee Hyo-je), um otaku que sofre pressão por boas notas no colégio; e Ha-Joon (Hyun Woo-Seok), o nerd de eletrônicos que tem uma queda por Se-ah.

Sinopse
Em determinado momento do primeiro episódio, Hyeong-wook apresenta o aplicativo Girigo ao grupo, revelando que fez uso de um desejo através dele para tirar uma boa nota em matemática. Os amigos, que não acreditam no poder do aplicativo, até o baixam, mas não fazem uso imediato, enquanto Hyeong-wook percebe que um cronômetro começou a contar na tela de seu celular.
E é assim que o Girigo funciona: a pessoa faz o desejo e, quando ele se realiza, um cronômetro decrescente marca vinte e quatro horas para a morte de quem pediu. Ou seja, trata-se de um app amaldiçoado.
A história segue após uma tragédia, com Se-ah fazendo a conexão entre o aplicativo e uma morte e, a partir de então, ela terá que correr contra o tempo para salvar a própria vida e a de seus amigos.

Embora o tema de maldição seja muito utilizado em gêneros de horror asiático, aqui a repetição não incomoda, pois é conduzida de maneira consistente.
A direção de Park Youn-seo não exagera, não recorre a sustos gratuitos repetitivos, mas conta com cenas fortes e sanguinolentas; é bom deixar avisado.
Recepção da Crítica
A crítica internacional destacou que a série não tenta reinventar o gênero, mas foca nas relações entre os personagens e no impacto emocional dos desejos realizados.

No entanto, a recepção foi mista: houve reconhecimento de que a ideia é interessante, mas também apontamentos de que a narrativa perde fôlego ao longo dos episódios, tornando-se repetitiva e menos impactante.
Entre o público, o interesse foi maior, principalmente pelo conceito e pela atmosfera, mas sem grande entusiasmo. No geral, ficou a sensação de que a série é boa… mas poderia ter sido muito melhor.
Análise dos Personagens
Um dos fatores que tornam qualquer obra mais interessante são personagens bem construídos e desenvolvidos. Em Se Desejos Matassem há uma preocupação evidente em dar certa profundidade a cada um deles.
O casal protagonista tem seus momentos, porém a química não é completa. Ainda assim, isso não compromete a série.

Quanto aos coadjuvantes, o destaque realmente fica para a xamã Ha-Sal (Jeon So-nee) e seu esposo Gang Ui (Roh Jae-won), que serve de alívio cômico ao mesmo tempo em que se torna um forte protetor e auxiliar dos jovens na busca pelo fim da maldição.
Im Na-ri, em contraste, é a antagonista que você vai odiar, mas não poderá ignorar. É irritante, orgulhosa e, por vezes, inescrupulosa e, justamente por isso, é tão satisfatório ver o embate entre ela e Se-ah ao final da série.

Também não posso deixar de destacar a dupla formada pelas atrizes Hyeon Seo-Ri e Kim Si-Ah, sendo elas o início de toda a maldição, com uma amizade que vai da cumplicidade à deslealdade cruel. Dá para entender perfeitamente a raiva de Do Hye Ryeong (Kim Si-Ah), ao mesmo tempo em que essa relação e ruptura se refletem entre Se-ah e Im Na-ri. O paralelo é explícito, contudo, não se torna repetitivo porque os motivos são distintos para a ação e reação de cada uma.

É essa relação entre os personagens, bem como seu desenvolvimento, que faz com que nos importemos a ponto de nos envolver com a história e temer pelos seus destinos. O verdadeiro horror está em não saber se eles sobreviverão ao app.

Vale a pena assistir Se Desejos Matassem?
Vale bastante se você curte o gênero e assistir já sabendo que não encontrará nada inovador, mas sim uma história tensa, bem estruturada e com a constante sensação de que alguém pode morrer.
São apenas oito episódios, o que facilita maratonar e evita que a série crie “barriga” com questões inúteis e capítulos muito arrastados.

Vale mencionar o marketing da série, que aparentemente "disponibilizou" o app Girigo para iPhones. Eu não sei vocês, mas vou passar bem longe.
Nota: 3,9 de 5.
E você, que desejo faria se tivesse o Girigo nas mãos? Aceitaria o preço cobrado?












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