
João Havelange nasceu no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1916, filho do imigrante belga Faustin Havelange e de Anna Ahlers. Seu nome de batismo era Jean-Marie Faustin Godefroid de Havelange. Estudou no Colégio Santo Inácio e formou-se em direito pela Universidade Federal Fluminense, embora sua projeção pública tenha vindo sobretudo do esporte e da administração. Foi atleta do Fluminense Football Club e representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, como nadador; voltou aos Jogos de Helsinque, em 1952, integrando a seleção brasileira de polo aquático. Essa vivência olímpica precedeu uma longa carreira em entidades esportivas. Em 1958, assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), então responsável pelo futebol brasileiro. Permaneceu no posto até 1974, período em que a seleção conquistou as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970. Em 1974, venceu a eleição para presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), superando o inglês Stanley Rous por 68 votos a 52. Sua campanha reuniu apoio decisivo de associações da África, Ásia e América Latina, que reivindicavam maior participação nas decisões do futebol mundial. Havelange sucedeu Rous e ocupou a presidência até 1998, quando foi sucedido pelo suíço Sepp Blatter. Foi também membro do Comitê Olímpico Internacional desde 1963, posição que conservaria por décadas. À frente da FIFA, Havelange transformou o alcance comercial e geográfico da entidade. A Copa do Mundo, disputada por 16 seleções até 1978, passou a ter 24 participantes na Espanha, em 1982, e 32 na França, em 1998. Seu mandato incluiu a criação da Copa do Mundo Feminina, realizada pela primeira vez na China em 1991, e da Copa do Mundo Sub-17, iniciada em 1985. Também promoveu torneios juvenis e ampliou contratos de televisão e patrocínio, medidas que elevaram as receitas da FIFA e consolidaram o calendário internacional. A expansão da FIFA sob Havelange foi acompanhada por críticas ao personalismo de sua gestão e por controvérsias financeiras. Em 2011, ele renunciou à condição de membro do COI, antes de uma comissão de ética analisar acusações relacionadas à empresa de marketing esportivo ISL. Documentos posteriormente divulgados pelo COI registraram que Havelange e seu genro, Ricardo Teixeira, receberam pagamentos da ISL; o relatório apontou que Havelange devolveu 500 mil francos suíços para encerrar o caso. Ele morreu no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 2016, aos 100 anos. Sua trajetória permanece fundamental para entender a internacionalização do futebol.




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