
Rogue é a personagem dos X-Men cujo conflito central é a intimidade involuntária. Nascida Anna Marie no Mississippi, ela pode absorver as memórias, a personalidade e os poderes de outra pessoa por contato direto entre as peles. Essa habilidade torna um abraço potencialmente traumático, portanto suas luvas não são apenas parte do traje: são uma barreira prática.
Rogue apareceu pela primeira vez em Avengers Annual nº 10 (1981), escrito por Chris Claremont e desenhado por Michael Golden. Ela estreou como uma supervilã adolescente recrutada por Mystique para a Irmandade dos Mutantes. Seu ato inicial mais decisivo foi atacar Carol Danvers, então Ms. Marvel. Rogue absorveu as memórias e os poderes de Danvers, deixando-a em coma e adquirindo força extraordinária, resistência, voo e uma marca psicológica parcialmente permanente de Danvers. Esse acontecimento acabou levando Rogue à escola do Professor Xavier, depois que Danvers pediu aos X-Men que a aceitassem.
Sua redenção não é apresentada como um simples recomeço. Rogue luta contra a culpa, as memórias roubadas e o medo de ferir as pessoas que toca. Nas celebradas histórias de “Savage Land”, seus poderes e sua identidade continuam entrelaçados com as consciências que absorveu. Mais tarde, a relação entre Rogue e Gambit se torna um romance central dos X-Men, complicado pelo fato de o próprio passado dele incluir o Mutant Massacre: ele ajudou a reunir os Marauders para Mister Sinister, embora afirmasse não conhecer o propósito completo do massacre. Rogue acaba escolhendo a confiança em vez do segredo, e seu casamento é retratado em X-Men Gold nº 30 (2018).
Rogue também assumiu combinações incomuns de poderes. Durante a era de “Inferno”, lutou ao lado dos X-Men enquanto enfrentava a corrupção demoníaca de Nova York; em “Age of Apocalypse”, uma linha do tempo alternativa, é casada com Magneto e ajuda a liderar a resistência. Essas histórias demonstram que a absorção não é um simples aumento de força: Rogue pode herdar habilidades, padrões emocionais e capacidades físicas, às vezes perdendo a si mesma no processo.
Em live-action, Anna Paquin interpretou Rogue no filme original dos X-Men (2000) e em suas sequências X2 (2003) e X-Men: The Last Stand (2006). Esses filmes enfatizam seu isolamento adolescente e seu romance com Iceman, deixando de lado boa parte da história dos quadrinhos envolvendo Carol Danvers. Nos quadrinhos, porém, Rogue passa de antagonista definida pela violação a líder disciplinada de equipe. Seu poder continua perigoso, mas sua conquista mais importante é aprender que responsabilidade pode coexistir com intimidade. Essa tensão — entre desejar conexão e temer o contato — é o motor específico da história duradoura de Rogue, desde sua estreia como vilã até sua vida como líder dos X-Men.
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